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Publicado por SeuGado.com Gado

CRIADOR MODERNO ESCOLHE TOURO COM UM OLHO NO COMPUTADOR E OUTRO NO CURRAL

Agricultura 02/02 07:02

Nesta quinta, 1º, o zootecnista e especialista em produção de ruminantes Luiz Antônio Josahkian, superintendente técnico da ABCZ, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, concedeu entrevista ao apresentador Mauro Sérgio Ortega durante o Giro do Boi. Em pauta esteve o déficit de touros provados geneticamente para cobrir a vacada, dicas para escolher um bom reprodutor e ainda as principais ações da associação para o ano de 2018.

 

Josahkian afirmou que a pecuária de corte brasileira precisa anualmente de um milhão de touros para cobrir todas as fêmeas aptas à reprodução, excluindo-se as matrizes submetidas à inseminação artificial, que cada vez mais se consolida no País. “A gente está longe de ter esses animais e atender esta demanda com a qualificação necessária. A gente pensa em uma taxa de renovação excelente de 25%, então estaria falando de uma demanda de 250 mil touros provados por ano”, calculou o superintendente técnico da ABCZ.

 

No entanto, dois motivos principais travam a democratização do uso de animais provados geneticamente. “O principal deles, que é um dever de todos nós, é a falta de conhecimento de o quanto a genética pode incorporar, pode melhorar os ganhos, a agregação de valor que ela traz e isso impede o criador de pensar nesse investimento. A relação custo x benefício é excelente, mas a gente fala pouco disso. O outro motivo é a outra oferta. A gente não consegue atender esta demanda, apesar de que no final das contas sobram touros melhoradores que não foram incorporados ao sistema por falta de conhecimento do criador”, detalhou.

 

O zootecnista afirmou que o investimento em um touro provado é pago logo na primeira safra de bezerros produzidos por ele. “Só em peso à desmama esse aumento tem percepção de mercado efetiva. A diferença na produção desses bezerros paga o investimento no touro em uma primeira safra. E olhe que nem estamos falando de retenção de fêmeas melhoradas, no seu melhor comportamento reprodutivo quando elas se tornarem novilhas. É um investimento com retorno absolutamente garantido e permanente. A genética tem essa vantagem. O investimento feito hoje você tem ele agregado quase que de forma eterna, diferentemente de outras tecnologias que têm duração”, acrescentou.

 

Pelo mercado em potencial que existe e a lacuna de conhecimento a ser preenchida, Josahkian disse acreditar que ainda há um longo caminho a percorrer para auxiliar o consumidor de genética a entender e usar melhor as informações sobre touros provados.

 

ESCOLHENDO O TOURO IDEAL

Para o zootecnista, é desejável que o criador conheça as terminologias utilizadas na classificação de DEPs (Diferença Esperada na Progênie). “DEP, acurácia… São termos que fazem cada vez mais parte da rotina dos comprador, mas há espaço para melhorar. E não podemos esquecer que pra usar as avaliações, temos que partir de um grau de confiabilidade das informações. O comprador de genética não costuma olhar pra isso, então não sabe o quanto pode confiar”, alertou.

 

Para ajudar o pecuarista de cria na escolha do melhor reprodutor, Josahkian listou três passos. “É um olho na tela do computador e outro no curral”, brincou. Veja abaixo:

 

1 – Fazer um diagnóstico do seu sistema de produção. “A primeira tarefa que o produtor precisa fazer pra escolher o reprodutor é um diagnóstico do sistema de produção dele. […] Quais são as características da fazenda dele, o que ele está produzindo, o potencial que ele tem”, detalhou.

 

2 – Enxergar o mercado. “O criador precisa saber quem é o cliente e o que este cliente espera dele. Não adianta produzir pra ele mesmo, alguém vai ter que perceber valor no trabalho dele”, avisou Josahkian.

 

3 – Eleger as características principais. Segundo o superintendente da ABCZ, o criador deve selecionar as características em que tem mais deficiência em seu plantel e procurar suprir as carências. No entanto, é essencial ter em mente que a decisão traz um animal e todas as suas qualidades e defeitos, e não apenas a característica desejável, por isso é importante também ponderar a escolha como um todo.

 

Fonte: Canal Rural

 

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