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Publicado por SeuGado.com Gado

Cientistas desenvolvem cana transgênica

Tecnologia e inovação 06:03

Objetivo é conseguir variedade resistente ao glifosato e à broca-da-cana

 

Cientistas da Embrapa Agroenergia se uniram à startup PangeiaBiotech para desenvolver variedades de cana-de-açúcar transgênica para controle biológico da broca-da-cana e facilitar o manejo da cultura com o herbicida glifosato. O projeto “Produção de variedades comerciais de cana-de-açúcar transgênica para aumento da biomassa e da produção de etanol 1G e 2G a partir da transferência de genes que conferem resistência ao herbicida glifosato e a insetos-praga” é uma parceria também com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

 

A colaboração entre PangeiaBiotech e Embrapa Agroenergia, que terá duração de quatro anos, visa incorporar características de valor agronômico em variedades de importância comercial top de mercado. Depois desse período, os cientistas pretender disponibilizar no mercado um material com essa dupla transgenia.

 

Para chegar com esse produto totalmente inédito no mercado, selecionamos genes com liberdade de uso, conta Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia e líder do projeto. Além disso, os pesquisadores já iniciaram a transformação genética em laboratório com as variedades previamente selecionadas. Também estão previstos testes em campo para validar a tecnologia. Após está etapa de validação, parcerias estratégicas com empresas interessadas poderão ser feitas, o que envolve negociações de desregulamentação do evento transgênico para posterior venda destas variedades no mercado.

 

De acordo com Paulo Cezar De Lucca, sócio fundador da PangeiaBiotech, as características de valor agronômico mencionadas são na verdade genes já comumente usados nas culturas da soja, milho e algodão no Brasil e que agora estão sendo adaptados para a cana. De Lucca lembra que 100% da cana é convencional, enquanto nas outras culturas cerca de 94% são variedades transgênicas. Diante desse panorama, foi observado um nicho de mercado interessante para se trabalhar com cana transgênica. “Somos uma startup e jamais conseguiríamos fazer isso sozinhos”, afirma.

 

Para realizar este projeto a empresa entra com 1/3 em parceria com o Sebrae, a Embrapii com 1/3 e a Embrapa Agroenergia com o restante. Guy de Capdeville, chefe-geral da Embrapa Agroenergia destaca que esse foi o primeiro projeto como unidade Embrapii. "Temos a expectativa de que com esse modelo de financiamento de pesquisa tenhamos novas parcerias em prol do setor sucroalcooleiro".

 

O acordo foi firmado oficialmente durante o Simpósio “Integração da pesquisa pública com cana-de-açúcar no Brasil”. Na abertura do simpósio, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Celso Luiz Moretti, destacou a importância da integração entre a pesquisa pública, a privada e os diferentes stakeholders com a cadeia produtiva de cana. O diretor ainda enfatizou a relevância da criação do fundo de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor sucroalcooleiro energético. “No atual contexto, a criação deste fundo representa uma iniciativa inovadora para mobilizar e aplicar recursos públicos e privados de forma a dinamizar pesquisas que gerem novos produtos para esse importante setor produtivo”.  

 

De acordo com o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, o setor de sucroenergético possui um papel fundamental na economia brasileira, mas para o país se consolidar como um grande produtor e fornecedor internacional de etanol precisará investir  em melhorias tecnológicas que se adequem as exigências internacionais de produção sustentável, tanto em termos ambientais como sociais.

 

“Isso envolve a descoberta de novas variedades de cana-de-açúcar, inovações na linha de produções das usinas até a simples expansão da área agrícola. A Embrapii através de suas unidades poderá colaborar no desenvolvimento de novas tecnologias que venham a contribuir com o setor. O projeto que está sendo assinado hoje vai servir de exemplo para que novos desenvolvimentos tecnológicos sejam realizados no modelo Embrapii”, diz.

 

Danos - O glifosato é o herbicida mais barato do mundo para controle de ervas-daninhas e para cana-de-açúcar o controle destas é muito importante uma vez que compete por nutrientes e absorção de água pela planta nas fases iniciais de desenvolvimento. “Uma maneira fácil de controle é você ter um material com resistência ao herbicida”, salienta Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa.

 

Para o agricultor, a variedade pode facilitar o manejo no campo, além de gerar um impacto econômico pela redução dos custos de produção. Além disso, esse projeto visa utilizar dois genes de resistência combinados que podem ampliar a proteção da cana contra a broca, porque, para quebrar essa proteção será mais difícil tendo dois genes com modos de ação diferentes para o controle desta lagarta.

 

Atualmente, o controle da broca-da-cana é realizado por meio de inseticidas químicos e estima-se que as perdas causadas pela lagarta cheguem a R$ 4,88 bilhões por ano, se considerada a área total cultivada com cana no país. Hoje, temos no mercado a variedade transgênica CTC20Bt desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que apresenta resistência à broca-da-cana. No entanto, ainda não estão disponíveis no mercado variedades de cana-de-açúcar combinando dois modos de ação para proteção ampliada contra a broca-da-cana e resistência ao herbicida glifosato.

 

Fonte: Embrapa
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