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Publicado por SeuGado.com Gado

Operação Carne Fria: JBS compra gado de áreas desmatadas ilegalmente

24/03/2017 08:35

Operação interdita frigorí­ficos que vendiam gado de origem ilegal no Pará, multas somam R$ 264 milhões. Esquema para manipular origem do gado também revela fragilidade no controle das vacinas A JBS, maior produtora de proteí­na animal do mundo e dona das marcas Friboi, Seara e Swift, comprou gado criado em fazendas onde ocorreu desmatamento ilegal no sul do Pará. A prática é considerada crime ambiental e revela um esquema de manipulação dos documentos que certificam a origem do boi. O caso foi descoberto pela operação Carne Fria, deflagrada pelo Ibama nesta semana e que investigou 15 frigorí­ficos e 20 fazendas que comercializaram boi criado em áreas embargadas (onde qualquer atividade econômica é legalmente proibida). Segundo o Ibama, essa investigação não tem relação com a Operação Carne Fraca, deflagrada na semana passada pela Polí­cia Federal. Entre os compradores, estavam dois frigorí­ficos da JBS, um em Redenção e outro em Santana do Araguaia. Nas duas unidades, a empresa adquiriu 49.468 cabeças de gado e foi multada em R$ 24,7 milhões pela prática. No total, o Ibama notificou 11 frigorí­ficos no Pará, 3 no Tocantins e 1 na Bahia, entre eles o Cooperfrigo, Plena, Xinguara, Mercúrio e Rio Maria. Entre as fazendas, está a fazenda Café Paraí­so da Santa Bárbara, do grupo ligado ao Opportunity do banqueiro Daniel Dantas. Os frigorí­ficos estão impedidos pelo Ibama de comprar e abater carne até que mostrem ao instituto novas medidas para o controle na aquisição dos animais. No total, todas as empresas, incluindo as fazendas, foram multados em R$ 264,28 milhões. A operação decorre de uma investigação feita pelo Ibama nos últimos dez meses. Ela é deflagrada uma semana depois da Carne Fraca, que revelou corrupção no controle sanitário no processamento de carne das maiores indústrias do setor. Avaliadas em conjunto, as duas operações apontam na mesma direção: a fragilidade dos mecanismos de controle sobre o modo como os animais são criados e processados pela indústria da carne no Brasil. A Repórter Brasil procurou frigorí­ficos citados na operação. A JBS nega ter comprado gado de áreas embargadas pelo Ibama, afirmando que -seleciona 100% dos fornecedores com base em critérios socioambientais'. A empresa diz ainda que -não adquire animais de fazendas envolvidas com desmatamento de florestas nativas, invasões de terras indí­genas ou de conservação ambiental e que estejam embargadas pelo Ibama' (leia a resposta da JBS na í­ntegra). A Mafripar, controladora da Mercúrio, afirmou que -não foi embargado e continua com seus abates normalmente.' Já o frigorí­fico Xinguara disse que -não adquiriu gado oriundo de Fazendas embargadas' (leias as respostas da Mafripar e do frigorí­fico Xinguara). O gado adquirido dessa forma, segundo o Ibama, totaliza 58.879 cabeças compradas diretamente de fazendas em área embargadas e indiretamente, por meio de fazendas intermediárias onde o gado tinha sua origem ilegal -lavada'. A relação entre pecuária e desmatamento na região não se restringe a essas fazendas. A criação de bois é a principal motivação para o desmatamento ilegal na Amazônia. Cerca de 63% das áreas desmatadas apresentam algum tipo de pasto, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A operação revela ainda que os frigorí­ficos descumpriram acordo firmado em 2009 com o Ministério Público Federal, o chamado TAC da carne. O Termo de Ajustamento de Conduta envolveu 69 empresas que se comprometeram a comprar gado somente de fazendas regularizadas junto ao Ibama. Ao fazer negócio com fazendas nessa situação, o termo do acordo foi descumprido, conclui o Ibama. Ao negar o fato de ter comprado bois de áreas embargadas, a JBS afirma que não descumpriu o acordo. Confirmada pelo Ibama, a prática vai contra a polí­tica de sustentabilidade anunciada pela empresa, que é obrigada a seguir a legislação brasileira e os padrões de controle internacionais para manter a posição de maior exportadora de carne bovina do Brasil, fornecendo para mais de 150 paí­ses, como Estados Unidos, Alemanha e Japão. Em material de divulgação sobre sua polí­tica de sustentabilidade, a empresa anuncia um monitoramento especialmente rigoroso para o bioma amazônico, justamente onde o Ibama flagrou a ocorrência do crime. A empresa diz garantir que 100% das propriedades dos fornecedores são georreferenciadas e que todos esses pontos são monitorados via imagens de satélites. Procurada pela reportagem, a empresa reafirmou que -realiza, diariamente, o download de todas as informações contidas na lista de áreas embargadas pelo Ibama e da -lista suja do trabalho escravo' do Ministério do Trabalho. Essa não é a primeira vez, porém, que a JBS é flagrada ao comprar gado de desmatadores ilegais na Amazônia. Em março de 2015, matéria da Repórter Brasil revelou que a empresa comprara centenas de cabeças de gado de Cirineide Bianchi Castanha, mãe de Ezequiel Antônio Castanha, preso pela Polí­cia Federal sob acusação de ser -o maior desmatador da Amazônia de todos os tempos'. Ao ser procurada pela reportagem, a empresa cortou imediatamente a fazenda em questão da sua lista de fornecedores. Como funciona a lavagem do gado As compras de gado dos quinze frigorí­ficos citados na operação variavam entre a simples aquisição dos animais de áreas embargadas até esquemas mais complexos para esconder a origem do gado. No esquema mais simples, os frigorí­ficos compravam diretamente o gado de áreas embargadas pelo Ibama. Fonte: Rede Brasil Atual
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