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Publicado por SeuGado.com Gado

Paralisação das exportações de carne é um desastre, diz analista

24/03/2017 14:49

Reverter a situação é difí­cil no curto prazo e frigorí­ficos começam a interromper a compra de gado para abate -É um desastre. O prejuí­zo causado agora dificilmente será recuperado.' Quem alerta é Elio Micheloni, pecuarista e corretor da Terra Investimentos, de São Paulo. Ele se refere ao anúncio da paralisação das importações de carne por 12 paí­ses, entre eles, China, Japão e União Europeia. Segundo Micheloni, no curto prazo é muito difí­cil reverter a situação. -O que está acontecendo é que as câmaras dos frigorí­ficos estão ficando cheias e eles estão deixando de adquirir o produtos dos pecuaristas. Eu não vejo solução dentro de um prazo de 1 a 2 meses.' A gigante JBS, por exemplo, maior indústria de carne bovina do Brasil, já reduziu de 25% a 30% os seus abates. Segundo especialistas, a empresa abate diariamente cerca de 25 mil bois. Outros grandes e pequenos frigorí­ficos espalhados pelo Brasil também diminuí­ram suas atividades. -Pelo menos 90% deles', diz Micheloni. Nesta quinta-feira (23/3), ela anunciou a suspensão da produção de carne em 33 das 36 unidades por três dias. Explicou que o objetivo é ajustar a produção até que haja uma decisão sobre as restrições, adotadas por vários paí­ses, que suspenderam a importação de carne brasileira. -Estamos no meio da tempestade eu não estou vendo o fim dela ainda', afirma Micheloni. Confinamento -A suspensão das exportações de carne torna grave o cenário', alerta Alberto Pessina, presidente da Assocon, que representa os confinadores. -Os impactos já estão sendo sentidos. Se a situação melhorar, o quadro poderá ser revertido somente dentro de 3 ou 4 meses.' Os confinadores começaram o ano otimistas, por conta da queda dos preços dos grãos utilizados na alimentação do gado. O ano de 2016 havia sido particularmente ruim para o confinador. O volume de gado fechado caiu 15% diante de 2015. Está prevista uma recuperação para este ano. O confinamento no Brasil vai de maio a novembro de cada ano. Pessina diz que a operação Carne Fraca e a consequente paralisação das exportações espalhou incertezas no setor. Ele adianta que é cedo para fazer uma avaliação, mas os prejuí­zos já são palpáveis. -A questão é saber quanto tempo vai durar esse cenário. Espero que tudo seja revertido nos próximos meses.' Mas atenção: Se a situação não melhorar, o confinador pode até tomar uma atitude conservadora, e fechar menos bois, segundo Pessina, cuja planta fica em Mato Grosso. Ele avisa que os preços da arroba já estão sendo impactados. O indicador do boi gordo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) foi cotado ontem a R$ 142 na arroba, em queda de 2,2% em apenas dois dias. (veja gráfico abaixo) No comentário sobre o mercado da pecuária bovina, divulgado nesta quinta-feira, o Cepea comenta que o setor vive um momento bastante delicado. -Assustados e preocupados com as possí­veis repercussões, muitos representantes de frigorí­ficos consultados suspenderam as compras ou pressionaram com força os valores na aquisição de novos lotes', diz a nota. Sem pânico O professor da Esalq/USP, Sérgio de Zen, responsável pela área de pecuária do Cepea reconhece que o cenário é bastante difí­cil, mas não vê motivo para pânico. Na opinião do professor, Operação Carne Fraca, deflagrada pela Policia Federal no dia 17 deste mês, está mostrando que a fiscalização funciona bem no Brasil. -Nós erramos foi na maneira de divulgar o ocorrido. A repercussão foi negativa dentro do Brasil e também internacionalmente, o que levou os 12 paí­ses a suspenderem as importações de carne', diz ele. De Zen ressalta que nenhum outro paí­s consegue competir com o Brasil na produção de carne bovina. -Esse é um dos motivos que me deixa otimista em relação ao desfecho do caso. Não há alternativa para os importadores de carne. Nenhum outro exportador produz volume semelhante ao do paí­s.' O professor diz que, se a situação ficar complicada, ele teme mais pela avicultura. -É que há outros fortes paí­ses produtores de frango, ao contrário do boi', afirma. Sergio De Zen afirma ainda que está mais preocupado com os pequenos produtores de carne bovina, de aves e de suí­nos. -Eles estão desprotegidos, são pelo menos 10 milhões dentro das porteiras, e podem ficar desempregados.' Segundo ele, é diferente da indústria, que perde valor mas recupera com o retorno da confiança. No pasto e no cocho Analista da FNP, José Vicente Ferraz, também acredita que os prejuí­zos começaram. -O momento não é de otimismo. Eu queria observar que os concorrentes no mercado externo estão de olho no Brasil, que é o maior exportador mundial de carne de frangos e o segundo de carne bovina.' Ele acredita que a situação pode sim deixar o confinador e o pecuarista preocupados. -Quem engorda no pasto ainda consegue segurar o boi por mais tempo até a situação normalizar-se. Já o confinador encontra obstáculos, pois manter o boi no cocho é bem mais caro', diz ele, ressaltando que -nada é definitivo, ainda'. A Associação Brasileira de Proteí­na Animal (ABPA) informa que indicadores apontam para fortes retrações nos ní­veis de exportações de produtos cárneos do Brasil, com a suspensão das vendas para diversos dos mais importantes mercados importadores da ísia, Europa, ífrica e América. Para a entidade, é fundamental que se mantenham discursos objetivos que evitem sustentar a ideia de fraudes sem a conclusão das averiguações. Segundo a ABPA, o Brasil é lí­der mundial nas exportações de carne de frango e quarto maior exportador de carne suí­na. -Graças ao trabalho de órgãos governamentais, associações e empresas, o Brasil é reconhecido pela qualidade de suas carnes, em caminho semelhante ao percorrido por suí­ços com relógios, franceses com vinhos, japoneses e alemães com carros, entre outros exemplos.' A carne de frango é a mais consumida pelo brasileiro, com média anual superior a 40 quilos por habitante/ano. Em terceiro lugar, a carne suí­na tem consumo médio de 15 quilo por habitante. -São números que atestam o papel protagonista assumido pelos setores na segurança alimentar do Brasil e do mundo. Uma posição que, agora, lutamos para manter, juntamente com os 4,1 milhões de empregos diretos e indiretos gerados pela avicultura e pela suinocultura do paí­s', informa. Mercado árabe Por iniciativa da Câmara de Comércio írabe-Brasileira, representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) se reuniram quarta-feira (22), em Brasí­lia, com o Conselho dos Embaixadores írabes para prestar esclarecimentos sobre a qualidade das carnes produzidas e exportadas pelo Paí­s. No encontro, o secretário de Relações Internacionais do Ministério, Odilson Luiz Ribeiro e Silva informou que -até o momento, do ponto de vista da investigação no âmbito do Ministério, não há nenhuma ação que possa indicar riscos na certificação dos alimentos vendidos lá fora ou no mercado interno'. O Mapa distribuiu documento com dados técnicos aos diplomatas e se comprometeu a mantê-los informados sobre os desdobramentos do caso. -A maior parte do Conselho participou da reunião e as explicações foram satisfatórias', disse o decano do conselho e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben. Além dele, participaram do encontro diplomatas da Arábia Saudita, Argélia, Egito, Mauritânia, Iraque, Marrocos, Kuwait, Omã, Lí­bano, Sudão e Lí­bia. -Houve debate e perguntas, e o secretário distribuiu um documento confirmando que não existe nenhum risco sanitário nos alimentos', afirmou Alzeben. A abertura de um canal de diálogo entre o Mapa e os embaixadores árabes foi vista como muito positiva pelos participantes. -Promover esta integração faz parte da missão da Câmara írabe', disse o presidente da Câmara írabe, Rubens Hannun. Fonte: Revista Globo Rural
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