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Publicado por SeuGado.com Gado

Decisão sobre Funrural impõe dí­vida bilionária a produtores rurais

04/04/2017 11:03

Quem não recolheu a contribuição, amparado em liminar de 2011, terá que pagar o valor retroativo, explica advogado A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de considerar que o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) está de acordo com a Constituição, deve impor uma dí­vida bilionária a produtores rurais do Brasil. É o que explica o advogado especialista em direito previdenciário, Luciano Caram, do escritório Caram Sociedade de Advogados. No julgamento da quinta-feira (30/3), os ministros avaliaram um recurso da União contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que afastou a incidência da contribuição. Luciano Caram explica que esta decisão de segunda instância da Justiça Federal, de 2011, tinha caráter liminar. Ou seja, a cobrança ficou suspensa, mas não significa que deixou de existir. O Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural foi instituí­do no artigo 25 da lei que define as fontes de custeio da Previdência Social (lei 8.212/91). Desde então, foram publicadas várias normas de contribuição. Uma destas, a Emenda Constitucional (EC) 20/1998, fixou as alí­quotas e bases de cálculo. Outra, de 2001 (lei 10.256/01), modificou o artigo 25 da lei de custeio. O processo no Supremo discutia se a cobrança era constitucional conforme a redação de 2001, que aproveitou itens da Emenda de 1998. -A Emenda já previa a cobrança (sobre o faturamento) e essa lei (10.256/01) só regulou. Por isso, o Supremo entendeu que está de acordo com a Constituição', avalia Luciano Caram. "Dependendo de quem faz as contas, o total a ser arrecadado para os cofres públicos é estimado entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões" LUCIANO CARAM, ADVOGADO PREVIDENCIíRIO. O acórdão do STF derruba a liminar do TRF-4 e libera o governo a ir atrás dos contribuintes. Para o advogado, o cálculo da dí­vida deve retroagir seis anos. Dependendo de quem faz as contas, o total a ser arrecadado para os cofres públicos é estimado entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões. -Quem manteve o recolhimento do Funrural mesmo com a liminar ou fez o depósito judicial, está mais tranquilo porque fez o pagamento. Mas quem se amparou na liminar e não recolheu a contribuição desde 2011, terá que pagar com juros, correção e multa', diz ele. Caram, pondera, no entanto, que a cobrança retroativa não deve ser imediata. Pode haver pedidos de embargo para tentar mudar a decisão do STF. Casso sejam feitos, só depois dessa discussão o acórdão seria publicado e passaria a ter efeito. -Mas não acredito em mudança na decisão. Deve só protelar a cobrança', acredita. Quem tiver valores a recolher e ficar inadimplente, acrescenta Caram, pode sofrer restrições de acesso a financiamentos, como o crédito rural. Na opinião do advogado, será necessário o governo chegar a um acordo com os devedores para garantir a arrecadação. Agro dividido O julgamento na corte máxima do paí­s colocou em lados postos a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras lideranças do setor. A CNA manifestou publicamente apoio í  manutenção da cobrança do Funrural, argumentando por meio de nota que a -forma de contribuição por meio de uma alí­quota incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção é a maneira mais justa e vantajosa para a maior parte da produção rural brasileira'. Na avaliação da CNA, -essa forma de contribuição não onera a folha de pagamento e faz com que o produtor rural pague quando realmente detém capacidade contributiva, ou seja, quando há comercialização de sua produção. A Federação da Agricultura de Goiás (Faeg) diz que a decisão é contrária aos interesses do segmento e causa insegurança jurí­dica, na medida que fere a isonomia dos critérios de tributação e contesta julgados anteriores. Também por meio de nota, o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Normando Corral, diz que -causou perplexidade' o comunicado da CNA favorável í  decisão do STF -e oposta aos interesses dos produtores rurais'. Ele informa que comunicou ao presidente da CNA, João Martins da Silva Junior, -a contrariedade não só com a decisão do Tribunal, mas especialmente pela nota emitida pela entidade'. A Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), que também é filiada í  CNA, não criticou a entidade, mas manifestou preocupação, pois entende que a decisão do STF -não reflete a forma mais justa e equitativa de recolhimento dos valores devidos í  Previdência Social, violando, assim, o princí­pio da igualdade e impondo ao produtor rural ônus indevido'. A decisão foi polí­tica, em face das dificuldades financeiras pelas quais passa o paí­s" A Associação Brasileira de Frigorí­ficos (Abrafrigo) emitiu nota informando que ainda há outras pendências jurí­dicas que podem alterar a medida adotada pelo STF. Na avaliação da Abrafrigo a -a decisão foi polí­tica, em face das dificuldades financeiras pelas quais passa o paí­s', lembrando que existem 14,5 mil processos suspensos, aguardando o julgamento finalizado ontem. A Aprosoja Brasil, que representa os produtores de soja, diz que lamenta a decisão do STF. Marcos da Rosa, presidente da entidade, argumenta que a medida não vai resolver o problema de caixa do governo, que é deficitário. Ele lembra que as cotações das commodities estão em baixa no mercado internacional e a arroba do boi está com preço muito ruim no Brasil. -Os produtores de milho e soja, por causa da seca, acumularam dí­vidas para os próximos dois ou três anos e uma parte das dí­vidas estão vencendo agora no mês de março com os preços extremamente defasados no caso da soja. A cobrança não vai resolver o problema de caixa do governo e é um duro golpe nas contas dos produtores', diz Rosa. Marcos da Rosa observa que houve mudança de entendimento por parte do STF, que em decisão anterior havia considerado inconstitucional a cobrança da contribuição em julgamento de uma ação que envolvia o frigorí­fico Mataboi. Ele lembra que existem várias liminares de associações e de produtores isentando os produtores da cobrança. Por causa deste passivo que acaba de ser criado, o dirigente sugere ao governo que crie um programa de refinanciamento similar ao Refis para permitir aos produtores o pagamento destas dí­vidas. -Temos um grande passivo que é impagável e como nos tornamos ilegais por não termos recolhido o Funrural nos anos que se passaram, só com um grande programa de refinanciamento do governo federal é que vamos poder quitar esta dí­vida', diz ele. Fonte: Revista Globo Rural
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