Carregando...
Publicado por SeuGado.com Gado

Embrapa calcula -pegada hí­drica' em confinamentos de bovinos

05/04/2017 14:07

Estudo mostrou que o aumento da produtividade agrí­cola tem impacto positivo no balanço hí­drico da proteí­na animal Uma pesquisa coordenada pela Embrapa Pecuária Sudeste (SP), que utilizou informações climáticas e produtivas de 17 fazendas de animais da raça nelore, mostrou que o aumento da produtividade agrí­cola tem impactos positivos na pegada hí­drica de bovinos em sistema de confinamento. O objetivo do estudo foi determinar a -pegada hí­drica' dos confinamentos de bovinos e avaliar como o manejo nutricional impacta os valores. Segundo a pesquisa, o aumento da produtividade significou em média uma redução de 19,4% no valor da pegada hí­drica. Por outro lado, a menor quantidade de toneladas de grãos por hectare resultou em um aumento médio de 26,4% do valor da pegada. Se os grãos utilizados pelas 17 fazendas tivessem aumento de 25% na produtividade agrí­cola, resultaria numa redução de 20% da superfí­cie agrí­cola necessária. Por sua vez, uma redução de 25% na produtividade resultaria em 33% mais área í  produção de ração, conclui a pesquisa. Além do manejo, outros fatores interferiram no valor final da pegada hí­drica, como condições climáticas, desempenho animal e produtividade da cultura agrí­cola utilizada, diz o pesquisador da Embrapa, Julio Palhares. -O trabalho apresenta avaliações do confinamento brasileiro utilizando dados especí­ficos de cada fazenda, o que não existe atualmente na literatura cientí­fica', diz ele. Palhares observa que há uma crescente tensão entre a produção pecuária e a utilização dos recursos naturais. -E confinamentos podem provocar impactos ambientais negativos nos recursos hí­dricos, no ar e no solo. Apesar de o Brasil ser o segundo maior produtor e exportador de carne do mundo, ainda é pequena a produção em confinamento, porém, os especialistas preveem tendência de aumento desse tipo de criação', acrescentou. Ele explica que no cálculo foi considerada a somatória da pegada azul − água usada na dessedentação, no processamento dos alimentos da ração e embutida no produto − e da pegada verde, com base nos dados locais de cada fazenda, que registram a precipitação diária, produtividade da cultura vegetal e sua evapotranspiração. A pegada hí­drica apresentou média de 5.718 litros por quilo de carne, e uma grande variação, de 1.935 a 9.673 litros/kg. A pegada azul representou 15% desse valor, e a verde, 85%. -Esses valores não devem ser comparados com a média global para produção de um quilo de carne, que é de 15,4 mil litros de água. Ela foi calculada para semiconfinamento e considerou toda a cadeia produtiva, desde a produção de insumos até a oferta do produto ao consumidor', destaca Palhares. As maiores eficiências no uso da água foram observadas nas fazendas que utilizaram alimentos com elevada produtividade agrí­cola, da ordem de toneladas por hectare (t/ha). Os menores valores, 1.935 e 3.871 litros por quilo de carne, estão relacionados a percentagens elevadas de volumoso (cana picada, bagaço de cana ou silagem de milho) nas dietas. As fazendas com maiores quantidades de concentrado na dieta apresentaram altos valores de pegada, ou seja, demandaram mais água por quilo de carne produzido, já que a água verde é a maior contribuinte para a pegada total. Os alimentos concentrados são fontes de energia e proteí­na para os animais, mas pobres em fibras, diferentemente do volumoso, que tem alto teor de fibra. Nos casos em que a propriedade usou 90% da dieta com concentrado, a pegada hí­drica variou de 6.685 a 9.673 litros por quilo de carne. Já a redução de concentrado para 80% representou uma variação de 4.628 a 5.236 litros. Por exemplo, as fazendas 4 e 5 utilizaram bagaço de cana e apresentaram os mesmos ganho de peso diário (1,5 kg dia-1), pesos inicial e final dos animais e perí­odo de confinamento (90 dias). No entanto, a fazenda 4 usou 80% de concentrado na dieta e a fazenda 5 utilizou 90%. A pegada da propriedade 4 foi de 4.628 e a 5, de 7.103 litros por quilo de carne, ou seja, usou 53,5% mais água. Segundo Julio Palhares, o aumento da quantidade de concentrado na dieta resulta em pegadas mais elevadas. A decisão sobre utilizar mais ou menos concentrado depende de muitos fatores. Aspectos como o desempenho dos animais, as condições econômicas e gestão das fazendas devem ser considerados. -É importante destacar que avaliamos somente a pegada hí­drica. Mas a quantidade de concentrado afeta outros indicadores, como a pegada de carbono e as de nitrogênio e fósforo', pondera Palhares. A utilização de subprodutos na alimentação animal pode reduzir os valores da água, bem como pegadas ecológicas ou de carbono, já que apenas parte da água consumida pelo produto principal é alocada ao subproduto. A pesquisa identificou que em fazendas com utilização de subproduto (bagaço de cana) e 80% de concentrado (fazendas 4 e 6), os valores da pegada foram menores, mesmo comparados a fazendas com inclusão de 60% a 70% de concentrado. As diferenças locais de evapotranspiração e rendimentos da cultura agrí­cola também influenciam os valores das pegadas. Maior evapotranspiração resulta em maior uso da água, indicando que, dependendo da região, a pegada hí­drica total muda significativamente. A produtividade agrí­cola dos alimentos também desempenha papel fundamental, isto é, maior produtividade resultará em menor pegada hí­drica. -Isso demonstra que a eficiência hí­drica de uma proteí­na animal é dependente da eficiência hí­drica na agricultura, pois todos os aspectos produtivos estão interligados. Independentemente do fato de o pecuarista produzir ou não a alimentação do gado em sua propriedade, o desempenho hí­drico dos insumos produtivos deve ser considerado no cálculo da pegada hí­drica', diz o pesquisador. Consumo animal O consumo médio de água por animal por dia foi de 37,8 litros para uma ingestão de matéria seca de 10 kg por dia. A temperatura máxima nas fazendas variou de 25º a 31,3ºC e precipitação de 2,7 a 4,8 mm ao dia. As fazendas com temperaturas mais elevadas apresentaram maior consumo de água, 39,6 litros por animal ao dia. Nas propriedades com temperaturas menores, o consumo foi 34,9. A quantidade de água consumida pelo animal é determinada pelo tipo de dieta, condições zootécnicas dos animais e conforto térmico do sistema de produção. -A fazenda 5, que mostrou a maior temperatura máxima, poderia implementar práticas e tecnologias para dar mais conforto térmico. Se a temperatura fosse reduzida em 2ºC, o consumo de água por animal ao dia seria de 38,2 litros, uma diferença de 1,4 litros ao dia', explica Palhares, ressaltando que as estratégias devem ser adaptadas í s condições locais e a combinação de gerências e tecnologias será necessária para alcançar melhorias significativas. Cálculos Pegada hí­drica é a quantidade total de água, direta e indiretamente, usada para produção de um produto. O quanto desse recurso é necessário até o produto chegar ao consumidor é um cálculo complexo. Mas conhecer o valor da pegada contribui para melhorar a gestão da água. O valor depende de vários fatores, como local do sistema de produção, tipo de animal, composição e origem dos alimentos fornecidos e formas de uso da água: para consumo animal, irrigação, resfriamento e lavagem. Fonte: Revista Globo Rural
Comentários
logo-seugado

Para ter acesso completo a esse conteúdo faça login ou cadastre-se grátis.