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Publicado por SeuGado.com Gado

Especialista em doenças virais fala sobre a saúde do gado leiteiro

10/04/2017 17:17

Professor da Universidade da Dakota do Sul lista quais as principais infecções nos rebanhos hoje e diz como superá-las Doenças virais são uma dor de cabeça para produtores de todo o mundo. Em busca de diferentes olhares sobre essa questão, o Portal DBO entrevistou o pesquisador norte-americano Christopher Chase, especialista em patogenias virais em gado de leite e professor do Departamento de Veterinária e Ciências Biomédicas da Universidade do Estado da Dakota do Sul. Em 37 anos de carreira profissional - desde a sua formatura, na Universidade do Estado de Iowa - ele exerceu também a prática clí­nica com animais de confinamento e suí­nos, além de bovinos de leite. Foi presidente da Associação de Médicos Veterinários da Dakota do Sul, presidente da Associação Americana de Veterinários Imunologistas e membro do Conselho de Medicamentos Biológicos e Agentes Terapêuticos dos Estados Unidos. Atualmente, é presidente do Colégio Americano de Veterinários Microbiologistas. Confira a entrevista: Portal DBO: Quais o senhor considera serem as principais doenças virais que acometem bovinos de leite hoje em dia? E quais as suas consequências para os animais? Chase: A rinotraqueí­te infecciosa bovina (IBR) e a diarréia viral bovina (BVD). No caso da rinotraqueí­te, os maiores problemas envolvendo a doença estão relacionados aos efeitos para a concepção das vacas. Predominantemente transmitida por gotí­culas de secreção nasal ou venérea, a IBR é uma doença respiratória, mas que pode causar aborto por meio da infecção do feto em qualquer estágio da gestação, impactando diretamente os í­ndices de concepção. Já no caso da BVD, um efeito que preocupa é o impacto sobre a reprodução das fêmeas quando a infecção atinge o corpo lúteo ainda no ovário, podendo diminuir o ciclo da vaca e derrubar as taxas de prenhez da fazenda. Mas o maior entrave mesmo é a capacidade de o ví­rus da BVD prejudicar o feto e causar uma infecção congênita, que pode provocar deficiências no bezerro recém-nascido ou causar sequelas não necessariamente visí­veis, mas significativas. A transmissão pode se dar tanto pelo contato direto entre animais como pelo compartilhamento de seringas ou água. Portal DBO: Que cuidados os pecuaristas podem tomar para evitar que essas doenças atinjam o rebanho? Chase: Podem vacinar as fêmeas no momento do diagnóstico da gestação e trabalhar sempre para aliviar o estresse dos animais, evitando a debilidade do sistema imune. Para a BVD, vale fazer ainda testes que constatam se há animais persistentemente infectados no rebanho, além de implementar um sólido programa de vacinação na propriedade para controlar e prevenir a doença - já que o agente infeccioso da BVD é um RNA-ví­rus, que sofre frequentes mutações. Também é recomendado seguir um calendário de reforço para essas vacinas. Portal DBO: Como têm evoluí­do as técnicas para identificação de doenças em gado de leite? Teria alguma tecnologia que o senhor destacaria? Chase: Têm evoluí­do bem e, com certeza, a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) deu uma grande contribuição nesse sentido, porque é um método rápido e preciso para identificar doenças genéticas e infecciosas. A única ressalva em relação a ela é que o produtor precisa ser cauteloso ao fazer o teste em animais vacinados, porque o resultado pode ser sensí­vel, mostrando, na verdade, agentes inoculados com a vacina. Em uma próxima geração, acredito que o sequenciamento do DNA sofrerá um salto, passando a ser uma tecnologia ainda melhor. Mais barata, mais rápida e menos trabalhosa de usar. Hoje, a velocidade de sequenciamento já é maior graças a análises paralelas e ao uso de tecnologias de alto rendimento. Em um dia, você consegue sequenciar todo o genoma humano por uma centena de dólares. Agora, imagine para a medicina veterinária. Isso traz uma grande vantagem porque permite identificar patógenos desconhecidos. Atualmente, isolar e multiplicar novos ví­rus e bactérias é muito complicado, porque eles pedem condições complexas de serem reproduzidos. Portal DBO: Quais o senhor acredita serem os pilares da manutenção de um rebanho saudável? Chase: Nós precisamos entender a necessidade de manejar os animais -com cuidado', usando técnicas que não causem medo ou susto neles. Porque os hormônios que desencadeiam essas sensações suprimem o sistema imune. As vacinas são de grande ajuda, mas gerenciar o manejo, nutrição e a qualidade das instalações, para que estejam mais do que adequadas í  presença do rebanho, é fundamental. Portal DBO: Na sua opinião, quais os principais desafios a serem superados nesse quesito? Chase: Certamente, estabelecer e implementar procedimentos operacionais padrão. Para isso, é preciso treinar os trabalhadores e estabelecer protocolos de segurança. As regras básicas vão desde o descarte de agulhas após o uso, vacinação na tábua do pescoço, desinfecção de seringas, até o uso de vestimentas e calçados adequados pelos trabalhadores e limitação do contato deles com animais de fora da fazenda antes de procedimentos de manejo. Fonte: Portal DBO
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