Carregando...
Publicado por SeuGado.com Gado

Planejamento, o pulo do gato na pecuária de leite

17/04/2017 13:55

Produtores de leite costumam ouvir, de técnicos e especialistas em gestão, a mesma pergunta: -Você faz planilha?' Simples, a prática de armazenar informações da fazenda Planejamento, o pulo do gato na pecuária de leite Propriedade que tem todos os dados computados consegue traçar estratégias com maior racionalidade e maximizar seus lucros Produtores de leite costumam ouvir, de técnicos e especialistas em gestão, a mesma pergunta: -Você faz planilha?' Simples, a prática de armazenar informações da fazenda é o primeiro passo para qualquer pecuarista se programar a médio e longo prazos. É a partir do -hábito' de colocar dados de custos de produção e de í­ndices zootécnicos que o produtor consegue se organizar e traçar metas para o futuro da propriedade e dos negócios. Esses í­ndices zootécnicos abrangem itens como produção diária de leite; número de vacas em lactação e total de vacas; produção diária por vaca; produtividade da mão de obra; produção por área de pastagem; consumo de concentrado por litro de leite, além de í­ndice de fertilidade dos animais; í­ndice de natalidade; taxa de mortalidade e í­ndice de animais descartados. -Não existe receita de bolo para um bom planejamento de uma propriedade leiteira, mas a planilha de custos é indispensável', afirma o engenheiro agrônomo Primo Quinaglia Neto, da Cooperativa para a Inovação e Desenvolvimento da Atividade Leiteira (Cooperideal). Para Quinaglia Neto, que presta assistência técnica a produtores de leite do oeste de Santa Catarina e do sudoeste do Paraná, o planejamento deve ser feito com base nas prioridades de cada fazenda. E, para saber quais são essas prioridades, é preciso ter informações, dados e histórico da propriedade e do rebanho. -Não tem regra, mas o sucesso de uma fazenda depende de um gerenciamento adequado. E esse gerenciamento depende do conhecimento que o produtor tem do seu negócio. Sem ter essas informações na ponta do lápis, não se sabe o caminho que a atividade está tomando e que rumo se pretende seguir. A planilha indica qual o caminho', avalia o agrônomo. Os pesquisadores da Embrapa Gado de Leite Rosangela Zoccal e José Luiz Bellini Leite afirmam que planejamento é saber onde se está - por meio de um inventário da propriedade - e aonde se quer chegar, com a definição de metas. -Tendo um ponto de partida e o ponto de chegada, que é a situação desejada, o produtor é capaz de traçar um caminho lógico', dizem os pesquisadores. -A análise do custo de produção de leite auxilia na organização e no controle do sistema de produção, identificando o desempenho de cada atividade. Permite a análise da rentabilidade e indica os custos controláveis que podem ser reduzidos, além de auxiliar no planejamento e controle das operações do sistema de produção', explicam os pesquisadores. Para Rosangela e Leite, decisões como crescimento ou estabilização da fazenda, aumento ou não da área de pasto, investimentos em maquinário, benfeitorias, descarte e compra de animais só têm sentido se o produtor estabelecer metas para a atividade. -A meta para as propriedades deve ser econômica e, com base nela, projeta-se quais os recursos necessários para alcançá-la - animais, terras, mão de obra, máquinas e equipamentos, instalações', aconselham os pesquisadores. Na ponta do lápis Na Fazenda Borssatti, em São José do Cedro, em Santa Catarina, a famí­lia Borssatti tem nas planilhas a base da administração da propriedade. -É das planilhas que extraí­mos todas as nossas informações. São elas que indicam quais decisões devem ser tomadas. Muitas vezes, ganhamos dinheiro, mas não sabemos "onde". Com as planilhas, sabemos exatamente o custo de produção e, consequentemente, onde estamos tendo lucro ou prejuí­zo', diz o produtor Rodrigo Borssatti. Técnico em agropecuária, Rodrigo toca a fazenda com os pais, Vilson Borssatti e Joice Isabel Bernardy Borssatti. Há cerca de três anos, a famí­lia passou a visitar outras propriedades e a consultar assistência técnica, o que, segundo Rodrigo, foi -crucial' para a mudança na administração da fazenda. Nessa época, conta Vilson, eles usavam uma planilha, mas não de forma -rigorosa'. Com os dados incompletos, nenhuma decisão era tomada com base nos registros. -Primeiramente, deve ser feita a planilha para saber o que se tem na propriedade. Em seguida, começa a tomada de decisões. Por exemplo, se o rebanho for numeroso, mas pouco eficiente, em termos de produtividade, descartamos animais', diz Rodrigo. -A partir daí­ é possí­vel saber onde estamos eficientes ou ineficientes e podemos definir estratégias para manter a eficiência já registrada e melhorar onde for necessário.' Na propriedade, a famí­lia analisa cada í­ndice agronômico, zootécnico e econômico, em busca de alcançar a meta traçada a cada ano. O agrônomo da Cooperideal afirma que o caminho a ser seguido, baseado -nos dados na ponta do lápis', inclui, por exemplo, a tomada de decisões sobre compra de insumos, aquisição e descarte de animais e aumento da área de pastagens. -Para a compra de insumos, o produtor tem de saber as necessidades do rebanho e acompanhar o mercado. No caso de compra e venda de animais, é preciso conhecer a estrutura do rebanho e o ciclo reprodutivo dos animais. Antes de investir em um aumento da área de pasto, o produtor tem de avaliar se a área que ele tem disponí­vel está na sua máxima eficiência. E tudo isso depende do quê? De conhecer a propriedade, de ter as informações da fazenda. Voltamos í  importância das planilhas', insiste Quinaglia Neto. Pastagem Segundo o agrônomo, um erro comum dos produtores é investir em um aumento de rebanho e da área de pastagem sem conhecer a eficiência do pasto já existente. -A dica é tirar o maior proveito da área já disponí­vel', diz o agrônomo. Para isso, explica, deve-se ter uma boa fertilidade do solo - o que inclui fazer uma análise de solo bem-feita - e avaliar a produção de leite por hectare/ano, item essencial para o bom gerenciamento da fazenda. -O bom produtor não é o que tira mais leite de uma vaca, de forma isolada, mas aquele que obtém o maior ní­vel de eficiência dos animais a partir da área disponí­vel.' Os pesquisadores da Embrapa concordam. -Normalmente, o item que representa o maior custo na atividade leiteira é a alimentação do rebanho. Com isso, é imprescindí­vel ter em mãos indicadores que permitam medir a eficiência do sistema de produção, como a taxa de lotação das pastagens, que é resultante do número de vacas em lactação dividido pela área (em hectares) destinada a essa categoria, e a produtividade das pastagens, que é a produção anual de leite em relação í  área total do sistema produtivo. Muitas vezes, o que se precisa é realizar uma adubação, e não aumentar a área', dizem. O agrônomo da Cooperideal explica que conhecer a estrutura do rebanho, -animal por animal', é outro item fundamental para planejar a fazenda. -A partir do ciclo reprodutivo do rebanho, o produtor sabe, por exemplo, a época de parição de cada animal e a época que uma vaca "seca". O que mantém o produto vivo são as vacas em lactação, então ele monta uma estratégia de aquisição e descarte com base nessas informações.' Segundo Quinaglia Neto, há produtores de leite que ganham dinheiro, mas não sabem -onde'. Outros acham que estão lucrando, mas não estão. -Daí­ a importância da gestão.' Ele diz ainda que não é o preço que faz uma "vaca boa". -Vaca boa é aquela que se encaixa nas necessidades da fazenda. E produtor eficiente é aquele que está sempre tentando se preparar, com antecedência, para atender í s necessidades do rebanho e da propriedade.' Choque de gestão A recomendação ao produtor é preencher fichas de campo, com as chamadas ocorrências zootécnicas (partos, coberturas, peso e nascimentos); econômicas (gastos e receitas), e climáticas (regime de chuvas e temperaturas máximas e mí­nimas). Isso ajuda a detectar eventuais focos de prejuí­zo e a elaborar um planejamento estratégico para o descarte de animais. Antes do -choque de gestão' na fazenda, os Borssatti mantinham um rebanho de 55 animais, sendo 20 vacas em lactação, com 30 litros de leite produzidos por animal. Havia investimento em genética e a área de pastagens era de 3,5 hectares. Outros 6 hectares eram reservados para o cultivo de milho para silagem. Atualmente, o rebanho é de 28 animais, sendo 24 vacas em lactação, duas vacas secas, uma novilha prenhe de 3 meses e mais uma novilha que está no prazo de parição. Ao todo, são 10,5 hectares destinados í  produção de leite. Agora, o desempenho não é mais medido por vaca, mas por hectare/ano, como recomenda o agrônomo da Cooperideal - a fazenda produz 18.873 litros de leite por hectare/ano. -Esse ní­vel de detalhamento dá a dimensão da mudança de gestão na fazenda', diz Rodrigo. -Antes, o preço do leite podia até ser melhor que hoje, mas não tí­nhamos a consciência que temos hoje da propriedade e do negócio.' Antes de decidir pela compra ou descarte de um animal, Rodrigo diz que é ideal manter uma proporção entre vacas -em secagem' e parições. Sem essa proporção, o risco de um colapso é grande, porque, grosso modo, o que banca a fazenda são as vacas em lactação, que são as recém-paridas', afirma o produtor. Segundo ele, a procedência do animal é também outro fator fundamental, sem esquecer a quantidade de pastagens disponí­vel. -De nada adianta ter um animal de boa genética, gastar para comprá-lo e, na fazenda, ele não ter alimento.' A famí­lia conta ainda como passou a se programar para não gastar mais do que o necessário na compra de insumos, como fertilizantes. -Tem de fazer análise de solo, pois isso indicará quais insumos o solo precisa. Com a ajuda de um técnico e com a análise de solo em dia, além de aumentar a fertilidade da área destinada aos animais, o produtor consegue gastar de forma racional, aplicando apenas o necessário, nem a mais nem a menos', explica Rodrigo. Segundo os Borssatti, sem fertilidade é mais difí­cil ser eficiente. -Mas não adianta fazer análise de solo, plantar e não fazer o manejo adequado do pasto. É importante investir em mão de obra qualificada. São etapas que precisam ser bem executadas para o resultado final ser satisfatório.' Rosangela Zoccal e José Luiz Bellini Leite, da Embrapa, chamam a atenção para a questão da mão de obra em propriedades leiteiras. -Um dos grandes problemas da atividade leiteira é a disponibilidade de mão de obra treinada e capacitada para desenvolver as rotinas diárias que uma unidade de produção de leite exige. Nossas dicas são: gostar de trabalhar com gente; saber ouvir; reagir rapidamente; ter habilidades para resolver problemas e focar nas metas e nos resultados'. Para administrar uma propriedade leiteira de forma profissional é preciso, em termos de gestão, implementar o ciclo PDCA (Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Avaliação). -É o ciclo completo da gestão que começa no planejamento e vai até a avaliação e retroalimentação do planejamento do próximo ciclo. Existem vários cursos de gestão que o produtor pode e deve fazer, tomando a atividade como um bom investimento e aplicar seus conceitos', dizem os pesquisadores da Embrapa. Fonte: Portal DBO
Comentários
logo-seugado

Para ter acesso completo a esse conteúdo faça login ou cadastre-se grátis.