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Publicado por SeuGado.com Gado

Fiocruz cria aplicativo para pesquisar doenças e monitorar animais silvestres

25/04/2017 12:02

Ferramenta gratuita está disponí­vel no Google Play e funciona off line Em tempo de uso crescente da tecnologia para soluções de problemas da sociedade, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conta com a população para ajudar no combate de doenças no Brasil e na coleta de informações por meio do uso de um aplicativo gratuito e disponí­vel no Google Play. A bióloga Márcia Chame, que está í  frente de um projeto de biodiversidade da Fiocruz, informou que, para ampliar a base de dados utilizados nas pesquisas, é preciso aumentar os meios de monitoramento das informações. Com o aplicativo, os especialistas recebem os dados regionais diretamente das populações. -Acreditamos que a sociedade é parte do processo. Por isso, desde 2005 começamos a desenvolver um aplicativo em que qualquer pessoa no paí­s pode nos ajudar no monitoramento de animais silvestres. Não só macacos, mas carní­voros, roedores e todo tipo de animais', disse. O aplicativo permite receber uma série de registros, inclusive fotos. -Ele funciona off line, de modo que no meio do campo há um georreferenciamento. As pessoas podem checar seus dados no mapa disponí­vel e atrás dessas informações temos esses modelos.' A professora acrescentou que, embora exista a sensação de que a febre amarela é uma doença nova no Brasil, ela veio da ífrica há muito tempo e hoje alarma a população. Assim como a febre amarela veio de fora, a movimentação atual de pessoas no mundo pode levar o ví­rus para diversos lugares. Vetores -Em 24 horas, uma pessoa pode sair da China, pousar em Paris e depois seguir para o Brasil', comentou a bióloga sobre o que classificou de compartilhamento de doenças e de agentes infecciosos com outros animais. -Isso faz parte da biodiversidade'. A pesquisadora destacou ainda que existem alterações genéticas de vetores e parasitas e, com isso, todos os organismos vão se adaptando. A dinâmica, conhecida há 20 anos, hoje pode ser completamente diferente. Márcia descartou que o Brasil esteja atravessando uma epidemia de febre amarela. Conforme a especialista, o que ocorre são surtos distribuí­dos. Ela afirmou que os macacos são hospedeiros extremamente favoráveis í  doença. Com 118 espécies do animal, o Brasil é o paí­s que mais tem espécies de primatas no mundo. "Todas as nossas espécies são suscetí­veis í  febre amarela. Isso mão significa que não exista febre amarela ví­rus em outras espécies. Precisamos estudar mais isso.' De acordo com Márcia Chame, o que se vê hoje no Brasil é um ciclo silvestre. Ela analisou o cenário do local onde morava o homem que morreu da doença em Casimiro de Abreu, municí­pio do Rio de Janeiro, e constatou que a paisagem é uma clareira no meio da floresta. -É uma área quase circular, onde foi feita uma plantação. Para o mosquito é uma área natural. Com uma diferença, havia uma oferta de sangue humano da famí­lia que morava ali.' Estudos Para a pesquisadora, as áreas de declives determinam andares diferenciados de florestas e as espécies se distribuem nos andares. Há macacos que ficam mais no alto das árvores e outros em ní­veis mais baixos. Os mosquitos acompanham esses ní­veis. Com isso, as pessoas acabam sendo alvo dos mosquitos infectados e levam os ví­rus para outros locais. -As pessoas entram nas florestas e cada vez mais as populações avançam nessas áreas', disse. Segundo Márcia Chame, são muitos os fatores para o surgimento da febre amarela, porque os ciclos são complexos, especialmente pela variedade nas espécies de macacos e mosquitos. Os estudos mostram que, desde 1980, a cada sete anos surge um ciclo novo de febre amarela. -O que se tem de dados é que os ciclos coincidem com o restabelecimento das populações de bugios [macacos]. A febre amarela entra em determinado lugar e mata os bugios suscetí­veis. Os que conseguem resistir ficam imunes, como as pessoas. Para que tenha uma nova população com indiví­duos suscetí­veis, essa população tem de se repopular. Isso vai demorar uns sete anos.' Márcia Chame informou que a Fiocruz trabalha com uma base de dados relativa ao perí­odo entre 2000 e 2016, com análise de 620 casos, utilizando um cruzamento de informações de diversos órgãos. Os estudos também mostraram que um perí­odo importante de seca, antes do iní­cio das chuvas, favorece um número maior de mosquitos. -É como se todos os ovos dos mosquitos estivessem esperando uma chuva favorável [para eclodir]'. Depois dessa etapa, eles se dispersam e acabam atacando macacos, que, por causa da seca, fugiram para outras regiões a procura de alimentos. Ação do mosquitos Para o professor Ricardo Lourenço, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), os principais transmissores de febre amarela são os mosquitos Haemagogus leucocelaenus, que têm o corpo preto e patas em listras, e o Haemagogus janthinomys, com corpo brilhoso e colorido e patas sem listras. Lourenço revelou ainda que eles não atuam í  noite. -Febre amarela é uma doença do dia. Mosquitos não picam í  noite. São brilhosos e se orientam pelo reflexo da luz nas escamas brilhosas. São mosquitos diurnos e transmitem [a doença] durante o dia. Podem picar humanos dentro da floresta ou fora dela'. O professor esclareceu que normalmente somente as fêmeas transmitem a doença, mas pode ocorrer a transmissão por machos nascidos de fêmeas infectadas. Lourenço afirmou que equipes da Fiocruz estão fazendo controle de mosquitos com a instalação de armadilhas nas árvores de Casimiro de Abreu. O material é coletado e analisado no laboratório do IOC por uma equipe de 42 pessoas. Com as análises, é possí­vel identificar os tipos de mosquito da região e checar ainda a quantidade de mosquitos com a distinção entre machos e fêmeas. Infecção O professor André Siqueira, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, informou que, no caso da febre amarela, pode haver o registro de pessoas infectadas com quadro bem leve. Segundo Siqueira, a partir da infecção há o perí­odo de incubação de três a seis dias em que o ví­rus está no organismo, mas ainda não se manifestou. Depois tem o perí­odo de infecção em igual perí­odo quando o ví­rus está se replicando no organismo em grande quantidade. É nesse momento que surge a febre acima de 40 graus, associada í s dores de cabeça, costas e tonturas. Em seguida, o paciente pode passar por um tempo de melhora entre duas a 24 horas. Após essa etapa, podem surgir complicações com as infecções no fí­gado, a dor no estômago que podem evoluir até a morte em algumas situações. Fonte: Revista Globo Rural
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