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Publicado por SeuGado.com Gado

Circuito do Milho faz raio-X da produção em MT

27/04/2017 10:17

Em cinco dias, expedição percorre quase 6.000 km e dá diagnóstico da produção. Pesquisadores apontam questões-chave de cada região Até sexta-feira, 28 de abril, o Circuito Tecnológico do Milho deve rodar quase seis mil quilômetros de norte a sul de Mato Grosso. O objetivo é avaliar as condições do milho segunda safra e fazer um raio-X do que pode ser melhorado na produção daqui para frente. Realizada pela Embrapa e Aprosoja, com apoio do Imea, a expedição deixou Cuiabá na última segunda-feira, 24, e já traz dados relevantes sobre o estado das lavouras visitadas. A amostragem é feita com base em um questionário respondido pelos produtores ou gerentes que recebem as equipes, e em avaliações a campo conduzidas por pesquisadores. Médio norte - De acordo com Alexandre Ferreira da Silva, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, a constatação de problemas de plantabilidade - que vêm a ser a variância na distância entre plantas na linha - foi o que mais chamou a atenção na região de Sorriso e Ipiranga do Norte, onde a equipe do Circuito visitou 12 propriedades. -Esse tem sido um problema generalizado, observado em todas as fazendas', diz o pesquisador. O fato, segundo ele, pode estar relacionado í  velocidade de plantio. -No anseio de plantar no menor intervalo possí­vel, para diminuir a porcentagem de lavouras fora da janela ideal, muitos produtores acabam trabalhando com a velocidade acima do recomendado, e isso gera falhas', explica. Na lavoura, o que se vê são plantas muito próximas umas das outras ou muito distantes. -Uma situação real foi ter duas plantas a 10 centí­metros uma da outra espaçadas de 60 cm da seguinte. Quando o ideal seria que a distância entre elas fosse de 30 cm', afirma Silva. Anderson Ferreira, da Embrapa Agrossilvipastoril, lembra que as falhas aumentam a competição por nutrientes absorvidos pelas raí­zes, além de desperdiçar parte do nitrogênio aplicado na linha ou a lanço, em função da configuração de espaços vazios. Segundo Ferreira, além da velocidade inadequada das máquinas, sua precisão e regulagem também podem interferir na plantabilidade. Na região do médio Norte, Silva também observou que os produtores não têm variado a taxa de adubação nitrogenada em função do ní­vel tecnológico das sementes. -Eles estão utilizando doses abaixo do que poderia ser aplicado em lavouras de alto investimento' diz. De todas as propriedades visitadas até esta terça-feira, 25, somente uma variou a adubação em função do ní­vel de tecnologia. A média de adubação têm sido de 40 a 60 pontos de N. -A maioria das lavouras na zona está em processo de final do ciclo, com as plantas já secando e os grãos com caracterí­stica de leitoso para farináceo', completa o pesquisador. Sul - Na área que compreende os municí­pios de Santo Antônio do leverger, Jaciara, Itiquira, Ouro Branco e Rondonópolis, os pesquisadores Eduardo Matos, da Embrapa Agrossilvipastoril, e Emerson Borghi, da Embrapa Milho e Sorgo, destacam que as lavouras estão em estado bastante satisfatório em termos de sanidade e porte, precisando apenas de alguma chuva para garantir boa produtividade. Segundo Borghi, das 12 propriedades visitadas nos últimos dois dias, apenas em duas foi observado maior ataque de pragas e doenças. A principal praga encontrada foi a lagarta spodoptera e a principal doença a mancha branca (embora seu grau de severidade fosse baixo). O alerta para a região, segundo Matos, fica por conta da palhada, sendo que nem todas as áreas apresentaram boa condição. -Mesmo quando a gente observou uma quantidade razoável, ela era basicamente composta por milho e soja', afirma o pesquisador. As fazendas que se destacaram positivamente nesse quesito foram as lideradas por jovens empreendedores. -Nas propriedades em que eles estão assumindo a gestão da lavoura, vimos mais consórcio de milho com braquiária. Muito bem informados, esses jovens têm dado atenção especial a pontos estudados pela comunidade cientí­fica', acrescenta Matos. Borghi afirma que, considerando todas as áreas avaliadas, no geral as lavouras estão em fase de iní­cio de polinização e enchimento de grãos. A expectativa entre os produtores da região sul é colher, em média, de 100 a 120 sacas de milho por hectare; o que, para o pesquisador, deve se concretizar desde que haja chuva. Leste - Na região de Nova Xavantina, ígua Boa e Canarana, chamou a atenção, segundo o pesquisador ílvaro Vilela de Resende, da Embrapa Milho e Sorgo, o desapontamento dos produtores com a última safra de milho, o que reduziu a área cultivada em algumas propriedades. O receio de plantar, de acordo com Resende, veio da falta de chuvas que ocorreu na região na safra 2015/2016. Neste ciclo, o clima já traz reflexos para a cultura em desenvolvimento. -Na região de Nova Xavantina, temos lavouras sofrendo um pouco mais com a escassez de água, enquanto que em Canarana a distribuição de chuvas é melhor e as lavouras estão com um potencial produtivo maior'. Assim como na região Norte, outro ponto que pode afetar a produtividade das lavouras é a plantabilidade. -Generalizado no leste, esse problema mostra que a gente ainda tem muita dificuldade de obter estande e distribuição adequada de plantas nas lavouras, o que certamente interfere no potencial produtivo independentemente do cultivar utilizado', afirma o pesquisador. Nesta região, ele diz que observou muitas plantas duplas e falhas de germinação, que deixam a lavoura desuniforme, com altura de plantas diferente. Também foi notado um baixo investimento em adubação, com várias lavouras apresentando deficiência de N ainda no florescimento, com folhas baixeiras amareladas e secando. -Isso preocupa porque vai comprometer o enchimento de grãos', pontua Resende. Com relação a pragas, foram encontradas lavouras com ní­veis variados de danos por lagartas. -Em algumas áreas, o ní­vel é mais preocupante, com grande desfolha pegando a fase de enchimento de grãos; lagartas atacando as espigas e perfurando sua ponta', diz. Com relação aos milhos Bt, ele afirma que, aparentemente, somente as tecnologias Viptera e Leptra ainda têm uma boa efetividade no controle de lagartas, havendo relatos de quebra de resistência com outros materiais. Para evitar as infestações, ele recomenda que o produtor entre com pulverizações de inseticida na lavoura na hora certa e faça uso, inclusive, de produtos biológicos. -Nas lavouras da região leste vimos uma grande variação, com cultivares transgênicas sendo atacadas por alta infestação de lagartas, e áreas de milho convencional bem tratadas relativamente limpas e isentas de danos. Isso mostra que fazendo o controle é possí­vel lidar bem com as lagartas'. De acordo com de Resende, a maioria das lavouras de milho da região está em fase de polinização e enchimento de grãos, com o potencial produtivo variando bastante conforme a propriedade. Oeste - Com relação í  região oeste, foram visitadas até o momento fazendas em Nobres, Diamantino e Campo Novo dos Parecis. Miguel Marques Gontijo Neto, da Embrapa Milho e Sorgo, afirma que grande parte das lavouras avaliadas apresentam excelentes condições fitossanitárias. -É pouca a presença de plantas daninhas e, mesmo em lavouras em estádios vegetativos mais avançados (R3 , R4), não encontramos ní­veis elevados de doenças. Também não foi observado dano significativo, decorrente de ataque de pragas, nas folhas e colmos das plantas. Porém verificou-se entre 10 e 20 % das espigas com danos ocasionados por lagartas', diz. Segundo ele, as condições de água no solo e chuvas estão favoráveis para boas produtividades na região, sendo o preço do grão de milho o grande motivo de apreensão dos produtores. Assim como na região leste, foi observado baixo ní­vel de adubação nas propriedades visitadas. -Com uma ou outra utilizando fósforo e ní­veis de N entre 50 e 60 kg/ha', afirma o pesquisador. Para ele, as chuvas muito frequentes até o momento podem estar mascarando alguma deficiência de nitrogênio ou potássio no solo. Fonte: Portal DBO
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