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Publicado por SeuGado.com Gado

Semiconfinamento de bovinos de corte? Veja informações

31/05/2017 09:46

Técnicos e produtores rurais buscam constantemente alternativas viáveis para reduzir os custos de produção, sem, no entanto, comprometer os bons resultados outrora obtidos. Esta situação é mais facilmente comprovada quando abordamos a onerosa prática do confinamento, onde os custos com a alimentação representam os de maior impacto, tirando muitas vezes a tranqí¼ilidade dos profissionais envolvidos nesta atividade. [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/05/438691ea63ed84a4b5322125efbfebd3_view.jpg[/img] É dentro deste contexto que o semiconfinamento está inserido como possí­vel opção para tornar mais eficiente o perí­odo final da engorda, em que elevada quantidade de concentrado é fornecido para bovinos mantidos em pastagens. De uma forma mais simples, a parte volumosa da dieta é o pasto, o qual está permanentemente í  disposição dos animais sendo o concentrado fornecido em cochos, podendo utilizar os mesmos ingredientes do confinamento tradicional. Para implantação de um semiconfinamento rentável alguns itens relevantes devem ser analisados para que se evitem futuros transtornos. Dentre estes, sem dúvida alguma, o manejo correto das pastagens que permita adequada disponibilidade de forragem, principalmente folhas verdes, é o ponto chave para eficiência do empreendimento. É evidente que no perí­odo seco do ano este panorama não se repete, pois o pasto não apresenta esta qualidade desejável. Entretanto, esta situação pouco ameaça o semiconfinamento, pois com o fornecimento de concentrado devidamente balanceado, formulado em função da baixa qualidade do material ofertado do pasto, desempenhos satisfatórios mesmo na época crí­tica podem ser alcançados. Infelizmente, ainda não é possí­vel mensurar o consumo de pasto pelos bovinos de uma maneira simples e confiável, pois inúmeras variáveis estão envolvidas durante o pastejo, por isso a ingestão do volumoso nas condições do semiconfinamento deve ser apenas estimada. A prática diária e a correlação do desempenho animal com a formulação do concentrado permitem uma estimativa mais próxima do real por parte do técnico, porém sempre com imperfeições. Outro ponto importante a ser ressaltado é que a não confecção anual de silagem, assim como a não destinação de uma área para cultura da cana, essenciais para o sistema de confinamento, acarretará em liberação de áreas para formação de novas pastagens, aumentando lotação, produção por área, etc. A quantidade de concentrado a ser fornecido deve ser baseada nos seguintes fatores: qualidade e disponibilidade da forragem, ní­vel de ganho de peso desejado e custo do concentrado utilizado. Pode-se estimar que um novilho com 420 kg consuma aproximadamente 10 kg de matéria seca (MS) por dia. Dentro deste raciocí­nio, se adotarmos uma relação volumoso:concentrado variando de 60:40 até 20:80 (alto grão), a quantidade de concentrado a ser fornecido pode variar de 4 a 8 kg de MS, em média. A adoção dos ní­veis mais elevados permite que procedimentos tradicionais utilizados nos confinamentos também possam ser transferidos ao semiconfinamento, como a adição de ionóforos e tamponantes ao concentrado, assim como a sua distribuição fracionada várias vezes ao dia. [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/05/3925161e0bdf92b14dc45eada839d9b5_view.jpg[/img] Com o aumento na quantidade de concentrado o efeito de substituição (redução da ingestão de pasto) é o fenômeno responsável pelo aumento na taxa de lotação. Aliado a isso, com maior aporte de nutrientes, o ganho médio diário (GMD) também tende a se elevar, com impacto direto no ganho por área. Elevando-se o GMD, o peso necessário ao abate é alcançado de forma mais rápida, aumentando o giro na propriedade, algo de extrema importância no atual cenário da pecuária. Para os produtores que engordam machos inteiros o semiconfinamento pode auxiliar no acabamento destes animais, desde que o concentrado forneça energia suficiente para deposição de gordura mais precoce. O semiconfinamento tem gerado bons resultados práticos em algumas propriedades no Estado do Paraná. Destes, podemos destacar o fornecimento de concentrado para novilhos cruzados mantidos em pastagem de Tifton 85, em que o GMD esteve próximo a 1,200 kg e a lotação média foi de 9,3 UA/ha (13 UA/ha durante o verão), com produção de 1.310 kg/ha em 109 dias. Se a estiagem não tivesse sido severa na região (52 dias de seca) os resultados seriam ainda mais favoráveis. Alguns efeitos indiretos desta prática, porém de difí­cil mensuração, devem de igual forma ser apontados. A fertilidade do solo pode sofrer significativo incremento através do retorno de nutrientes ao solo, via fezes e urina, desde que o pasto seja manejado de forma adequada. Esta reciclagem é potencializada pela entrada de nutrientes via concentrado, provenientes de áreas distintas, numa verdadeira importação de minerais para o solo. Na prática, tem-se observado em áreas utilizadas para o semiconfinamento, com altas lotações, que nos anos subseqí¼entes os pastos apresentam maior produção de MS. [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/05/67b7ad72388224b127405f957e2e3ac1_view.jpg[/img] Como abordado no primeiro parágrafo deste artigo, os custos são os grandes obstáculos para adoção de muitas tecnologias. Para implantação do semiconfinamento, investimentos menores são necessários na construção das instalações quando comparado com confinamentos tradicionais. Entretanto, dependendo do número de animais e dos ingredientes utilizados na formulação do concentrado, uma pequena fábrica de ração e um ou mais vagões distribuidores serão necessários para agilizar o processo e tornar a mão de obra mais eficiente. Mesmo tratando-se de uma prática interessante para várias empresas rurais, algumas precauções devem ser adotadas, pois a produção de volumoso estará sujeita as condições climáticas. A confecção estratégica de silagem para ser utilizada em uma eventual seca prolongada é imperativa para que produtores e técnicos não sejam surpreendidos. Além disso, nada impede a adoção do semiconfinamento em propriedades que realizam o confinamento, pois um sistema pode complementar o outro, auxiliando no manejo dos animais (adaptação) e prevenindo situações adversas. É imprescindí­vel ressaltar que cada propriedade tem sua aptidão natural, influenciada diretamente pela localização, tamanho, pessoal envolvido, recursos disponí­veis, entre outros. Por isso, antes de decidir pela realização do semiconfinamento, todos estes itens devem ser analisados com o máximo critério, pois um erro na pecuária de corte hoje é algo extremamente dispendioso.
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