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Publicado por SeuGado.com Gado

Pecuaristas em pé de guerra contra rastreabilidade em Goiás

01/09 09:33

Se aprovado, projeto que está na Assembleia determina que em até dois anos todo o rebanho do Estado precisará ser rastreável Um projeto de lei de autoria do deputado Santana Gomes (PSL-GO) quer tornar obrigatória a identificação individual com monitoramento e geolocalização de bovinos e bubalinos em Goiás. A proposta já foi aprovada em 1ª votação e aguarda a 2ª rodada, ainda sem data certa. Caso aceita, vai para sanção do governador do Estado, Marconi Perillo. Em nota, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) rejeitou o projeto por ser -inoportuno e inexequí­vel' e que não leva em consideração a situação atual da pecuária goiana. -Ele foi apresentado de forma intempestiva, sem consulta ao setor e não contempla nenhum bônus para a atividade', diz Mauricio Negreiros Veloso, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg. Segundo a assessoria do deputado, houve entendimento da proposta entre o governo, o autor, o relator do projeto e os órgãos agropecuários do Estado. Para o produtor Humberto Tavares, que tem fazendas de gado em Jussara e Itapirapuã, GO, a medida vai dificultar a situação do pecuarista. -Ela não interessa í  pecuária do Estado e vai gerar custos'. Na justificativa, o deputado indica que a motivação foi a Operação Carne Fria, que investigou frigorí­ficos sob suspeita de comprarem animais de áreas de desmatamento no Pará e que os objetivos são controlar e garantir a saúde animal e a segurança alimentar ao registrar e acompanhar todas as fases dos animais na cadeia produtiva. Na Assembleia nesta quinta-feira, 31, o deputado disse que a proposta beneficia tanto o pequeno como o grande produtor. -Tenho certeza que, com essa iniciativa, o Estado de Goiás estará na vanguarda, considerando que a mesma vai incrementar o setor e favorecer as exportações'. O projeto prevê a comercialização, abate e transporte no Estado apenas de animais identificados, salvo aqueles oriundos de outros Estados que estiverem apenas de passagem por Goiás. Uma alteração pelo deputado Henrique Arantes (PTB-GO) modificou a proposta para que o custo inicial da implantação seja viabilizado pelo Tesouro Estadual. A partir da aprovação, todo o rebanho precisa estar identificado em até dois anos. Tavares e Veloso receiam que o Estado não tenha estrutura para cumprir com a implementação do projeto. -O Estado não tem fundos, depois troca de governador e isso acaba caindo nas costas dos pecuaristas', afirma o produtor. O presidente da comissão da Faeg relata que a Secretaria da Fazenda e a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) já apresentam inconsistências, problemas de infraestrutura e pessoal, e o novo sistema deve sobrecarregá-los ainda mais. -Como vão incorporar 23 milhões de brincos [que seria aproximadamente o tamanho do rebanho]? Onde vão encontrar recursos - financeiros, humanos, de tecnologia da informação - para isso?' Segundo ele, o projeto apresenta lacunas técnicas, como não prever a interligação com sistemas que já funcionam hoje, como o Sisbov - Sistema Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos -, e que causam receio em relação í s exportações. -Não se pode criar empecilhos para algo que já está funcionando direito', afirma. A Faeg também ressalta a insuficiência de infraestrutura de telefonia e internet como empecilhos para que haja rastreabilidade online. Na versão inicial, o projeto determinava que o sistema deveria funcionar sem internet e eletricidade, mas isso não fica claro no segundo texto, que acrescenta a geolocalização. Veloso diz que a Faeg trabalha em um projeto que envolve a rastreabilidade de animais desde 2015, mas que, no caso da proposta da entidade, agregaria valor í  cadeia. -Para nós, a identificação animal é só uma das etapas para a valorização, que envolve também certificação da carne. Paí­ses produtores que vendem carne com preço acima do nosso não fazem rastreamento individual de todos os animais. É uma ação incompleta, que não resulta em algo positivo para o setor. Só tem funcão de fiscalização e arrecadação'. A proposta da entidade, de acordo com ele, é que o projeto seja discutido em profundidade com o setor antes da aprovação. -Não queremos que fique em standby eternamente. A ideia é desenvolver uma proposta que contemple a evolução da pecuária, beneficie e gere um acréscimo de renda para toda a cadeia produtiva, incluindo o governo'. O pecuarista disse que o setor deve pressionar seus representantes na Assembleia para que o projeto não siga da forma como se encontra hoje. Fonte: Portal DBO
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