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Publicado por SeuGado.com Gado

Genômica produzirá animais imunes í  febre aftosa

18/09/2017 09:56

Técnica de edição gênica já tem sido testada nos EUA para a produção de suí­nos livres da doença; trabalho também deve ser desenvolvido em bovinos A descoberta do genoma bovino em meados de 2009 abriu um grande leque de possibilidades para as técnicas de produção de proteí­na animal. Os avanços nos estudos nessa área permitiram o desenvolvimento de uma técnica chamada de -edição gênica', que permite a retirada ou adição de determinada particularidade de um animal ou raça a qualquer outro indiví­duo do mesmo tipo. Para isso, basta extrair a fração de DNA correspondente í  caracterí­stica desejada e adicioná-la ao material genético de outro animal durante o perí­odo embrionário. Por meio desse processo, os geneticistas conseguiram produzir animais da raça Holandês sem chifres, evitando o desgaste com a descorna dos bezerros. -Trata-se de uma técnica revolucionária que irá solucionar grande parte dos problemas da pecuária mundial, além de alavancar o bem-estar animal no sistema produtivo', destacou Tad Sonstegard, diretor cientí­fico (Chief Scientific Officer) da empresa americana Acceligen, de Minessota. Entre os trabalhos mais recentes da empresa, Sonstegard destaca a produção de suí­nos castrados geneticamente por meio da adição do gene correspondente í  puberdade tardia. -Os órgãos reprodutores desses animais crescem de maneira bem mais lenta do que os demais, sendo possí­vel engordá-los e abatê-los antes que os hormônios se desenvolvam'. Para chegar a esse resultado, o geneticista explica que foram usadas as informações obtidas com as pesquisas de humanos que não entram na puberdade ou a desenvolvem tardiamente, onde foi possí­vel identificar a região do genoma que responde por essa caracterí­stica. Atualmente, a empresa está desenvolvendo pesquisas para que seja possí­vel produzir animais imunes í  febre aftosa. Nesse caso, os animais portarão o gene que evita que o ví­rus entre no organismo. -As pesquisas estão avançadas e devemos ter resultados concretos até o próximo ano', destacou Sonstegard. Embora inicialmente o foco seja nos suí­nos, o geneticista adiantou que já foram iniciadas as pesquisas em bovinos. Em ambos os casos o fator de maior dificuldade é o fato de os EUA serem livres da doença sem vacinação. -Teremos que estudar outras maneiras de realizar as pesquisas e os testes, mas acredito que devemos conseguir produzir os primeiros animais livres de aftosa em no máximo cinco anos', concluiu. Outra área em que a edição gênica tem avançado é na adaptabilidade de raças taurinas ao clima tropical. Para isso, a empresa estudou o genoma do Senepol e encontrou o gene slick, que faz com que os animais dessa raça sejam mais resistentes ao calor. -Agora esse gene pode ser adicionado ao DNA de embriões taurinos para a produção de animais adaptados ao clima tropical, ampliando a presença dessas raças no Brasil', adiantou Sonstegard. Expansão global - Para se expandir pelo mundo, a edição genética ainda esbarra em questões regulatórias já que cada paí­s tem uma legislação própria. Outro entrave é a resistência de entidades contra pesquisas de modificação genética. Nesse caso, o principal argumento utilizado pelos cientistas é de que a técnica só tem a trazer benefí­cios í  cadeia produtiva, principalmente na área de bem-estar animal, como já citado no caso do gado Holandês. Um dos pioneiros nos trabalhos de genômica no Brasil, o pesquisador da Unesp de Araçatuba e sócio da AgroPartners Consulting, José Fernando Garcia, está atuando como consultor das empresas estrangeiras para assuntos regulatórios. Segundo ele, os processos estão em andamento e a técnica deve chegar ao Paí­s em cerca de três anos. -Será um grande marco para a pecuária brasileira', arrematou. Fonte: Portal DBO
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