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Publicado por SeuGado.com Gado

Ferramenta calcula custos de produção do confinamento

19/09/2017 09:34

Modelo desenvolvido na USP é gratuito; universidade também fornece indicador mensal de custos para a atividade com base em SP e GO A gestão empresarial de uma propriedade é essencial para a permanência em qualquer atividade, mas, muitas vezes, pode ser confuso saber por onde começar. Pensando em ajudar o produtor rural nessa questão, o zootecnista Gustavo Sartorello desenvolveu, como parte de sua tese de mestrado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, um modelo de cálculo de custos de produção para confinamentos de bovinos. -Conversando com agentes da cadeia produtiva, começamos a perceber que não havia método de cálculo padronizado. Cada um considera uma gama diferente de custos e isso despadroniza a análise. E sem saber quanto custa o produto, fica difí­cil tomar decisões', conta o pesquisador. -Pensamos, então, em uma planilha que fosse simples, gratuita e que pudesse dar essa base de comparação'. Essa noção dos custos de produção, segundo Sartorello, ajuda até mesmo na hora de vender para o frigorí­fico. -É diferente negociar tendo de cabeça os dados do que com eles feitos, calculados, embasados em um método'. Método e organização - Orientado pelo professor Augusto Gameiro, ele, então, fez um estudo de caso em um confinamento de São Paulo para ter base para a criação da planilha. Foram coletadas informações sobre maquinários, equipamentos, veí­culos, construções e instalações, além de manejo sanitário e de identificação. -Quando gerei a planilha, usei os dados dessa propriedade para fazer a comparação. Ia vendo se batia e revia as equações até alinhar o que tinha na prática com a ferramenta'. Para fazer a validação do método, ele também conversou com profissionais do meio para saber se os valores estavam dentro do que acontece no mercado. A planilha está dividida em quatro grandes grupos: custos variáveis (aquisição de animais, alimentação, manejo sanitário...), semifixos (energia, telefonia, combustí­vel), fixos (mão de obra, manutenção e depreciações) e renda dos fatores (custo de oportunidade). -Fizemos a separação, porque ainda há uma resistência do produtor em incluir o custo de oportunidade (o rendimento da terra se estivesse empregada em outra atividade, por exemplo). Então, ele pode olhar o indicador como achar mais conveniente', explica. No relatório, quatro indicadores diferentes são fornecidos: custo operacional efetivo, operacional total, total e operacional da atividade A organização é também em ordem de importância. Segundo Sartorello, pagando os variáveis, o pecuarista já consegue se manter na atividade, porque garante a compra de alimentos, vacinas, animais, etc. Mas não considerar todos os custos - como a depreciação de máquinas e instalações - pode trazer problemas no futuro. -Se o produtor não paga a depreciação, começa a ficar descapitalizado. É tí­pico do produtor brasileiro ficar descapitalizado e não conseguir comprar maquinário novo, porque não fez reserva, não teve ganho adicional para isso'. Preenchimento - O modelo de cálculo funciona em uma planilha de excel e o preenchimento demanda uma certa energia inicial para levantamento dos dados necessários, mas, depois dessa etapa, ocupa pouco tempo do pecuarista. -O produtor não vai mexer na planilha todos os dias. Uma vez lançados os dados, o trabalho é muito menor. Você atualiza quando comprar algum trator ou fechar a compra da dieta, por exemplo. Depois, quando acabar o giro, vê o que se manteve e o que precisa atualizar e já tem noção de custos para o próximo ciclo'. Para ajudar no preenchimento, a planilha ainda traz comentários e explicações sobre as informações pedidas. -Sabemos que muitas empresas fornecem esse tipo de serviço e dão uma boa consultoria e suporte, mas a USP, nesse sentido, permite um método barato, mas que funciona. É um esforço que o produtor faz pelo próprio bem da produção dele'. Para ajudar no entendimento do método, a dissertação de mestrado de Sartorello também está disponí­vel para consulta. Indicador - Para complementar a planilha, também foi desenvolvido um indicador de custos para confinamentos de São Paulo e Goiás. Sartorello entrevistou 10 confinadores de São Paulo e nove de Goiás para, então, criar três propriedades confinadoras representativas: duas em SP (média e grande capacidade) e uma em GO (para detalhes técnicos, veja tabela abaixo). -Criei essas fazendas com caracterí­sticas reais. Por exemplo, quais maquinários são usados, a potência, número de funcionários, mas não é uma média das propriedades'. Todos os meses, o Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal faz o levantamento de preços de insumos para atualizar os dados do indicador, que tem periodicidade mensal. -Minhas bases são Pirassununga, SP, e Acreúna, GO. Meus fornecedores são voltados para essas regiões. Tudo que está incluí­do na atividade, como palanque para cerca, arame liso, polpa cí­trica, cordoalha, cocho, para tudo nós pesquisamos valores em pelo menos três empresas', explica. [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/09/8d5eac1b41986eef54a0ae8d9f473f35_view.jpg[/img] A grande ajuda do indicador para o produtor é ter uma base de comparação para seus resultados. "O produtor pode olhar para a planilha dele, ver os custos naquele mês e usar nosso indicador como referência. Eu estou produzindo minha arroba mais caro ou mais barato que o indicador da USP? É para ter esse parâmetro, até na hora de negociar com o frigorí­fico. É poder falar: 'como você vai me pagar 140/@ se meu custo é 150/@?' O indicador pode ajudar a balizar o mercado, porque uma hora a indústria joga para baixo, o produtor para cima ou vende por menos do que deveria". Como referência, em agosto, os custos da diária-boi ficaram entre R$ 6,71 (GO) e R$ 7,68 (SP - propriedade grande). Benefí­cios Tanto a planilha quanto o indicador são ferramentas importantes de tomada de decisão, planejamento e estratégia do negócio. No caso da primeira, elencar todos os custos da propriedade ajuda a ter uma nova visão sobre o todo e a comparação do indicador pode mostrar onde é possí­vel melhorar. "í€s vezes a mão de obra está muito cara, í s vezes o maquinário está com capacidade ociosa e isso acaba virando um custo que não está vendo", conta Sartorello. Ele ainda mantém contato com alguns dos confinadores entrevistados para o projeto e um deles, em particular, começou a trabalhar no mercado futuro depois de receber a planilha. "A planilha permitiu a ele travar boi no mercado futuro com garantia de preço mí­nimo. Quando ele olha o resultado e vê que custo de produção é R$ 140/@, por exemplo, e o mercado está indicando R$ 145, ele já fecha e está garantido todos os custos e mais o lucro". Planos Para o futuro, Sartorello pensa em expandir o indicador para outros Estados, principalmente Mato Grosso, e também analisa a possibilidade - para uma pesquisa de doutorado - de uma planilha para bois a pasto e sistemas integrados. "Existe demanda para Mato Grosso. É a primeira coisa que me perguntam. Faltou tempo e recursos financeiros para isso. Temos vontade de expandir, mas por essa limitação não fizemos". Ele explica que além do levantamento de confinadores na região, é preciso buscar também fornecedores, o que exige energia e deixa o projeto mais caro. Para São Paulo e Goiás, a lista já conta com mais de 200 nomes. Duas bolsistas do projeto fazem o trabalho mensal de consultar esses fornecedores para saber os preços dos insumos. "Se aumentar, preciso de mais bolsistas, mais telefone e quem subsidia é a USP". Contato Quem quiser ter acesso í  planilha e ao indicador pode acessar o site do LAE (http://paineira.usp.br/lae) ou mandar e-mail para lae-indicadores@usp.br ou gsartorello@gmail.com pedindo para receber o modelo de cálculo de custos e o boletim. Fornecedores que quiserem colaborar com o levantamento de preços de insumos também podem se cadastrar pelos e-mails acima. Fonte: Portal DBO
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