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Publicado por SeuGado.com Gado

Lavouras irrigadas concorrem com o abastecimento humano nas cidades gaúchas

Editado 23/03/2017 20:30

Corsan interrompeu a captação de água no Rio Gravataí­, por causa do despejo simultâneo de águas lodosas por empresas agrí­colas vizinhas No dia 8 de outubro passado, um sábado, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) foi obrigada a interromper a captação de água no Rio Gravataí­, que apresentava uma turbidez fora do comum, mesmo para um curso d"água classificado como ní­vel 4, o pior da escala de poluição hí­drica. A sujeira extra, que chegou a entupir um decantador, era resultante do despejo simultâneo de águas lodosas por empresas agrí­colas vizinhas que usam o sistema de plantio de arroz pré-germinado, no qual há uma intensa movimentação de máquinas para nivelar quadros alagados que, alguns dias depois da semeadura, precisam ser esgotados para que os brotos emerjam. Como o rio estava com pouca água, foi um verdadeiro deus nos acuda. O uso de produtos quí­micos pela companhia de saneamento para clareamento da água gerou uma perda de receita de R$ 400 mil. "EDUARDO CORAL VIEGAS, PROMOTOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RS" O incidente afetou o abastecimento de 48 bairros de Gravataí­, cidade de 273 mil habitantes na Grande Porto Alegre. Além de obrigar-se ao uso extra de produtos quí­micos para acelerar o clareamento da água, a Corsan teve uma perda de receita estimada em R$ 400 mil, segundo relatou o promotor Eduardo Coral Viegas, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que monitora os problemas ambientais da bacia hidrográfica do Gravataí­, o menor dos cinco rios que deságuam no Lago Guaí­ba. Embora saiba que a maioria dos arrozeiros joga limpo, Viegas convocou todos os atores envolvidos na jogada para que se construam logo barragens de retenção das águas usadas pelos agricultores, cujas atividades, entre outubro e abril, coincidem com o auge do consumo humano. Por coincidência, todos os infratores identificados no desastre de 8 de outubro possuem bacias de sedimentação construí­das ou projetadas em suas propriedades rurais. E também são todos reincidentes. "Não fui eu" A pedido da Corsan, que tem prioridade no uso da água para consumo humano, a Patrulha Ambiental da Brigada Militar fez sobrevoos de helicóptero e colheu imagens do -lançamento de lodo', também checado por terra e água. Com base no boletim de ocorrência, três empreendimentos agrí­colas foram autuados pela Fundação de Proteção ao Ambiente Natural (Fepam), que lhes aplicou multas e suspendeu licenças ambientais e o direito de uso agrí­cola de água. Não há nada de novo no front agrí­cola. Como há prazos para recursos em torno da caracterização da autoria dos danos, as punições demoram a se efetivar, deixando margem para a repetição dos problemas, que também podem ser atribuí­dos a vizinhos lindeiros. A Damiani Agrí­cola, cujas lavouras cobrem 700 hectares, afirmou í  Globo Rural possuir um -circuito fechado' que exclui tomada ou descarte de água no Rio Gravataí­. Outro autuado, Valdeci Borges, com 500 hectares cultivados, dispõe de açudes e teve de suspender a construção de uma barreira de contenção por ordem da Fepam. Ainda não foi liberada a licença para outra barragem de decantação a ser compartilhada pela Fazenda Embireira e o Assentamento Filhos de Sepé, montado no final do século XX em uma área de 9.000 hectares desapropriada pelo Incra. O promotor Viegas estima o custo da barragem em R$ 500 mil. Das 376 famí­lias assentadas na região, 176 cultivam 1.600 hectares de arroz orgânico, que se desenvolve numa lâmina de 10 centí­metros d"água, só descartada uma vez na época da semeadura. -Reconhecemos a turbidez das águas que usamos, mas não usamos nenhum produto quí­mico', defende-se Osmar Moisés, coordenador do perí­metro de irrigação dos Filhos de Sepé. Na aparência, os arrozeiros do Rio Grande do Sul promovem um dilúvio anual ao inundar 1,1 milhão de hectares, para produzir cerca de 7 milhões a 8 milhões de toneladas de arroz, volume que atende a dois terços do consumo nacional (42 quilos per capita por ano). Em anos de pouca chuva, os produtores sofrem restrições nas bacias hidrográficas mais carentes, obrigando-se a planejar seu uso. Nas regiões mais secas, como no sudoeste gaúcho, foram construí­das centenas de açudes cujos usuários deixaram de retirar água dos rios Quaraí­ e Santa Maria. A partir de certo ní­vel de escassez, os agricultores são obrigados a reduzir a retirada de água de rios, lagoas e represas públicas. É uma situação resultante de acordos feitos a partir da seca de 2005, quando foi iniciada a formação de uma rede de 190 estações de monitoramento dos principais corpos d"água do Estado. -O problema do mau uso da água na agricultura não existe mais', garante o agrônomo Fernando Meirelles, diretor do Departamento de Recursos Hí­dricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que vem estruturando um centro regional de monitoramento do clima. Nos últimos anos, í  medida que os comitês de gerenciamento das 25 bacias hidrográficas gaúchas se tornavam mais atuantes, o octogenário Instituto Riograndense do Arroz (Irga) orientou um bem-sucedido esforço de racionalização que se traduz numa ampla rede de açudes e represas. Na aparência, os arrozeiros do Rio Grande do Sul promovem um dilúvio anual ao inundar 1,1 milhão de hectares, para produzir cerca de 7 milhões a 8 milhões de toneladas de arroz, volume que atende a dois terços do consumo nacional (42 quilos per capita por ano). Em anos de pouca chuva, os produtores sofrem restrições nas bacias hidrográficas mais carentes, obrigando-se a planejar seu uso. Nas regiões mais secas, como no sudoeste gaúcho, foram construí­das centenas de açudes cujos usuários deixaram de retirar água dos rios Quaraí­ e Santa Maria. A partir de certo ní­vel de escassez, os agricultores são obrigados a reduzir a retirada de água de rios, lagoas e represas públicas. É uma situação resultante de acordos feitos a partir da seca de 2005, quando foi iniciada a formação de uma rede de 190 estações de monitoramento dos principais corpos d"água do Estado. -O problema do mau uso da água na agricultura não existe mais', garante o agrônomo Fernando Meirelles, diretor do Departamento de Recursos Hí­dricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que vem estruturando um centro regional de monitoramento do clima. Nos últimos anos, í  medida que os comitês de gerenciamento das 25 bacias hidrográficas gaúchas se tornavam mais atuantes, o octogenário Instituto Riograndense do Arroz (Irga) orientou um bem-sucedido esforço de racionalização que se traduz numa ampla rede de açudes e represas. Fonte: Revista Globo Rural
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