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Publicado por SeuGado.com Gado

Sistema ILPF alcança produção de 40,6@/ha/ano

21/09/2017 09:27

Número obtido pela Embrapa Agrossilvipastoril é quase 7 vezes maior do que a média nacional e 30% melhor do que os outros sistemas avaliados Quão eficiente pode ser a produção em um sistema com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)? Uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop, MT) em parceria com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte) conseguiu alcançar uma média de produtividade quase sete vezes maior do que a nacional com bovinos Nelore. O sistema com lavoura de soja e consórcio milho-braquiária por dois anos, seguida por dois anos de pastagem com Brachiaria brizantha cv. Marandu, com linhas simples de eucalipto a cada 37 metros, resultou em 40,6 arrobas por hectare no ano. No ciclo passado, o mesmo sistema registrou 32@/ha/ano. Além do ILPF, o estudo - que está em seu segundo ano - também avaliou sistemas com integração lavoura-pecuária (ILP), pecuária-floresta (IPF) e apenas pecuária. Estes registraram produção média de 30@/ha/ano (veja tabela no fim da matéria para detalhes). A média nacional é de 6@/ha/ano e a de Mato Grosso fica em 4@/ha/ano. -Esse experimento mostra que a pecuária pode ir muito além de onde está', diz Bruno Pedreira, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril. Entendendo os números - O resultado obtido na avaliação feita entre julho de 2016 e julho de 2017 mostrou como a intensificação da tecnologia usada na pecuária, com aumento de adubação e da suplementação proteinada, podem resultar em ganhos de produtividade. No ciclo 2 do experimento, a adubação passou de 50 kg/ha (NPK) para 100 kg/ha e a suplementação alimentar também dobrou, de 0,1% do peso vivo ao dia para 0,2%. De acordo com Pedreira, apesar de resultar em maior produção de forragem em todos os sistemas, o aumento da adubação teve maior impacto na pecuária exclusiva e na IPF. Na pecuária, houve um aumento de 56% no acúmulo de forragem e na IPF de 36%, com ambos os sistemas produzindo cerca de 20 toneladas/ha por ano. Ainda assim, a produção na ILP (22 ton/ha) e na ILPF (25 ton/ha) foi maior. -No ano 1 já tí­nhamos um residual de adubação da lavoura na ILPF e na ILP. Então, eles já estavam produzindo bem. Quando colocamos 100 kg de NPK a capacidade de produção se mantém ou ainda incrementa. A pecuária e a IPF nunca foram lavoura antes, então quando entramos com esses 100 kg de adubação, a variação é maior do que nos outros sistemas', explica. Com a melhor disponibilidade de forragem e com o aumento da suplementação alimentar em todos os sistemas, o ganho de peso diário ficou, em média, em 735 g. Sendo assim, o pesquisador diz que o mais contribuiu para a diferença de produção entre os sistemas foi a maior capacidade de lotação do ILPF, que ficou em 3,47 UA/ha contra 3 UA/ha da IPF, 2,78 da pecuária e 2,66 da ILP. Havia uma expectativa de resultados melhores na integração lavoura-pecuária. Porém, por algum motivo que ainda precisa ser estudado, esse sistema foi mais suscetí­veis ao ataque de cigarrinha do que os demais. [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/09/274c285a796eb0330fd135941853a1f5_view.jpg[/img] Na prática - Para o pesquisador, os dados obtidos no segundo ano de avaliação ressaltam o efeito benéfico do maior uso de tecnologia e da profissionalização da atividade para a obtenção de melhores í­ndices, e mostram que mesmo a pecuária exclusiva pode ser muito mais produtiva. -Levando em conta que temos muitas áreas no paí­s em que a agricultura não é uma possibilidade, o silvipastoril não é viável, por impedimentos de mecanização ou de logí­stica, esses números trazem a possibilidade de fazer um sistema produtivo de pecuária tradicional. Desde que de maneira empresarial. Desde que buscando manejo de pastejo de maneira muito coerente. Esse ní­vel de desempenho animal, mesmo que com suplementação, é muito associado ao bom manejo do pastejo', afirma. Ele ressalta que esses números são viáveis fora do experimento. -O grande ponto é o manejo do pastejo. Eu preciso colher bem. Se eu adubo e não colho, isso vai virar matéria orgânica e carbono no solo, o que é bom, mas também queremos produzir boi'. Nesse aspecto, ele reforça a importância do pecuarista estar atento í  altura do pasto. No experimento, foi utilizado o número de 30 cm, que está entre o recomendado por pesquisas (de 30 cm a 40 cm de altura). -É preciso olhar para a braquiária no pasto e pensar que se está acima dessa linha de altura estabelecida, eu estou perdendo dinheiro. Se está abaixo, tem que tomar cuidado, porque pode começar a entrar em degradação'. Ele ainda afirma que o pecuarista pode intensificar 1/3 da propriedade e trabalhar com o restante de forma mais tradicional. -Assim eu posso fazer ajuste da taxa de lotação. Em 1/3, faço pecuária muito bem feita, na forma mais empresarial possí­vel, e consigo entre 30 e 40@/ha/ano. Nas outras áreas, fico perto da média nacional. Com isso, já consigo elevar a média da minha fazenda para mais de 13@/ha/ano'. Além do manejo de pastagem, a individualização do boi e a gestão de todos os dados levantados também é muito importante. -Um dos erros que cometemos é partir para a intensificação, suplementação, mas sem mensurar o indiví­duo, essa interface do animal com o pasto. Precisamos ter bois numerados, pesar mais o animal para saber qual ganha peso e qual não. Eu preciso identificar onde comprei o boi que não ganha peso e não comprar de novo lá', exemplifica Pedreira. Benefí­cios do ILPF - Além do aumento da produtividade, Pedreira acredita que os sistemas ILPF trazem maiores possibilidades para o produtor dentro da porteira, aumentando as opções na tomada de decisões. -Se você já tem dentro da fazenda, soja e milho ficam baratos. Posso suplementar 0,2% de peso vivo ao dia - ou até mais - o ano inteiro se eu quiser. Se ele é só criador, depende do preço do bezerro. No ano em que o bezerro está com preço bom para ele, ganha dinheiro, no outro não. Se você tem o ciclo completo, se tem lavoura e floresta, passa a ser menos dependente do mercado e mais tomador de decisão da porteira para dentro. É um grande pacote tecnológico que traz muitas opções para o pecuarista'. Sombra - Apesar de no ano 2 do experimento a sombra não ter tido impacto no ganho de peso dos animais nos diferentes sistemas como no primeiro ciclo da pesquisa, Pedreira afirma que a importância do sombreamento permanece. -Precisamos buscar bem-estar animal e, quando os animais procuram sombra para ruminarem e ficarem em ócio, estão nos contando que precisam disso'. Segundo o pesquisador, mesmo fora de um sistema ILPF, há a possibilidade de se ter árvores nas laterais dos piquetes, nas áreas de lazer, próximas í  água ou em bosques menores. -Temos visto em algumas fazendas pecuaristas que fazem a borda do pasto com árvores. Não pode ser árvore isolada ou então você cria malhadores e começa a ter perda de áreas de pastagem, o que afeta a produtividade, mas ao longo de uma cerca, por exemplo, você consegue algumas centenas de metros de sombra'. Planos e Parceria - A pesquisa com pecuária de corte em ILPF é conduzida pela Embrapa Agrossilvipastoril em uma área de 72 hectares localizado no campo experimental da instituição, em Sinop, MT. Na época das águas do ciclo 2016/2017, mais de 200 animais estavam no pasto. Em julho, depois do término do ano 2 da pesquisa, novos animais já foram colocados na área para iniciar o ano 3. -Nesse terceiro ciclo, decidimos entender o efeito de ano, porque as respostas podem variar em função do ano, então vamos manter a suplementação e adubação do perí­odo 2016/2017', conta Pedreira. De 2015 a 2017, durante os dois anos de avaliação dos sistemas, a Acrimat foi parceira no projeto, financiando parte dos custos do experimento, mas a cooperação terminou este ano. -A parceria estabelecida nos dois últimos anos com a Embrapa apontou que é possí­vel aumentar a produtividade nas propriedades, viabilizando o desenvolvimento sustentável nos âmbitos ambiental e econômico. Agora precisamos difundir as técnicas que possibilitam produzir mais carne em menores áreas e de forma integrada com outras atividades', avalia Marco Túlio Duarte Soares, presidente da associação. A Acrinorte, por sua vez, desde 2015 fornece os animais para as pesquisas, parceria que foi prorrogada até 2019. -Essa parceria é fundamental para nós e para a região também. A Embrapa é a nossa referência em pesquisa. Esse trabalho nos mostra que a pecuária tem por onde andar. Tem espaço para evoluir. í€s vezes pecuaristas falam que não tem como ter o mesmo rendimento que a soja, mas estamos vendo que com tecnologia e manejo correto, tem como ter rendimento igual ou até melhor', analisa o presidente da Acrinorte, Olvide Galina. [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/09/bf256f67141a4f800793bcdd00e78b12_view.jpg[/img] [img]https://d2vjc40pgb63dh.cloudfront.net/file/attachment/2017/09/e539d6644d30bcb1d485704aaba92708_view.jpg[/img] Fonte: Portal DBO
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