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Publicado por SeuGado.com Gado

Normas para transporte de animais vivos são avanço para bem-estar

06/10/2017 09:23

Entre os pontos estabelecidos estão a abertura total da traseira do caminhão e ventilação adequada; entenda os impactos Não é rara a ocorrência de lesões e até mesmo morte de animais por causa de problemas no transporte terrestre. Ainda assim, até junho deste ano, o paí­s não tinha uma regulamentação para o deslocamento rodoviário de animais de produção. Com a resolução Nº 675, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), isso deve mudar. -Esse foi um dos grandes avanços do Brasil em bem-estar animal. Havia uma grande necessidade de normatização dessa questão', diz José Rodolfo Ciocca, gerente de agropecuária sustentável para a América Latina da ONG World Animal Protection, que participou do grupo de trabalho que discutiu as regras. A resolução traz uma boa notí­cia tanto do ponto de vista do bem-estar animal como da segurança nas estradas, e pode levar um alento para pecuaristas e indústria, na medida em que as lesões decorrentes do transporte se traduzem em perdas financeiras. A resolução coloca a necessidade de abertura total da traseira do caminhão para facilitar o desembarque em casos de emergência; exige ventilação e controle de temperatura adequados no transporte; piso antiderrapante para evitar escorregões; altura adequada para levar bovinos, bubalinos e cavalos em pé; além de elevadores em caso de veí­culos com mais de um piso para embarque e desembarque de suí­nos e aves. Segundo a resolução, a lotação de animais nos caminhões deverá ser definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O texto já está valendo, mas o prazo para adoção das medidas é 1º de julho de 2019. A responsabilidade de fiscalização é do Contran e do Mapa. Segundo Ciocca, ao receber um caminhão que coloque em risco o bem-estar animal, o produtor pode se recusar a fazer o embarque. -í€s vezes, é preciso tomar medidas mais radicais, porque, se ele apenas reclamar com o motorista, pode ser que a insatisfação não chegue ao responsável por isso no frigorí­fico', afirma. Novos passos - Para Ciocca, as normas estabelecidas ainda não são as ideais, mas representam um primeiro passo importante. -Ainda falta uma clareza em pontos como o tempo de transporte, densidade de animais e capacitação dos profissionais envolvidos, mas temos que ir devagar. O importante é que haja um progresso contí­nuo e sólido. Não adianta exigir o final ideal de uma vez só', afirma. De acordo com ele, alguns estudos já indicam que transporte de longa distância gera carne escura. -E, hoje, principalmente quando se trabalha muito com proteí­na embalada í  vácuo, a carne escura é um desafio, porque ela tem um tempo de prateleira menor'. No caso da densidade, ele espera que haja maior discussão na cadeia antes de se chegar a uma definição. -Você não pode trabalhar nem com uma densidade alta nem baixa, ambas são prejudiciais', explica o especialista. Altura dos caminhões - Um projeto de lei (PL 6392/16) de autoria do deputado Zé Silva (SD-MG) quer aumentar em 30 centí­metros - de 4,4 metros para 4,7 metros - a altura de caminhões de dois andares que transportam gado. A proposta surgiu de uma demanda da Associação dos Caminhoneiros de Iturama, municí­pio do Triângulo Mineiro. Em audiência na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, caminhoneiros e transportadores alegaram que a altura atual causa lesões nos animais e multas aos motoristas, já que os bovinos ficam sem o espaço adequado. Com isso, os condutores chegam a fazer alterações - como cortar a parte superior da carreta - na carroceria por conta própria. -Hoje os caminhões contam com apenas 1,65 m em cada andar, o que faz com que os animais fiquem muito apertados', diz o deputado. A altura média da raça Nelore é de 1,70 m, mas pode ser maior em algumas regiões, como a Norte. "Temos que desenvolver carrocerias pensando no tipo de gado que produzimos e levando em contas as diferenças regionais. Vimos muitas vezes animais chegando no frigorí­fico com o cupim totalmente machucado, porque o animal passou a viagem inteira esbarrando na estrutura metálica do caminhão", conta Ciocca. Na audiência, Wilson José Catiste, da Vilaços, fabricante de carrocerias, disse que para manter a altura no máximo permitido, as empresas precisaram suprimir o sistema de suspensão dos veí­culos, mas não há como ganhar mais espaço interno sem aumentar a altura. Para os defensores da mudança, é possí­vel ampliar a altura permitida, já que caminhões que transportam automóveis, os -cegonhas', têm autorização para ter até 4,95 m de altura. Técnicos do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) presentes na audiência disseram estar abertos a estudar sugestões de alterações na legislação. -Porém, é preciso verificar quais são os impactos de elevar em 30 centí­metros a altura do veí­culo. São necessárias mais informações para que possamos nos manifestar', ponderou Leonardo da Silva Rodrigues, do Dnit. Além de modificar o CTB para permitir o trânsito desses veí­culos com 4,7 metros de altura, a proposta também prevê a exigência de treinamento especí­fico para os motoristas desse tipo de carga, a exemplo do que já é oferecido para condutores de cargas perigosas. A ideia é que eles tenham base para saberem como reagir em situações adversas. Cuidados no embarque - Além das boas práticas no transporte, o gado precisa de alguns cuidados antes e durante o embarque. -Precisa ser tudo muito bem planejado. O produtor deve iniciar o procedimento um dia antes e evitar deixar muitos animais no curral', ressalta Ciocca. É importante também planejar os lotes do embarque para que não haja a necessidade de remanejo no caminhão, sendo o bem-estar animal sempre observado. -Não preciso ter uma estrutura cara, mas tem que ser adequada, e sob o ângulo de visão do bovino, para evitar distrações. Isso vai facilitar a condução e evitar um manejo de bater, gritar, de estresse para o animal'. No caso de caminhões com dois andares, o gerente da World Animal Protection afirma que o uso de piso hidráulico, que desce ao ní­vel da rampa para facilitar o embarque e desembarque, é uma opção que pode ajudar a reduzir hematomas, contusões e sofrimento dos bovinos transportados. Fonte: Portal DBO
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