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Publicado por SeuGado.com Gado

Com intensificação, fazenda deve alcançar 32@/ha/ano

30/10/2017 09:44

Modelo usado pela Pecsa envolve reforma total de pastagens, implantação de bebedouros e regularização de áreas de reserva legal Bom í­ndice de chuvas na região, reforma de pastagens, suplementação estratégica e gestão. Esses são alguns dos fatores que devem garantir í  Fazenda Bevilaqua, em Carlinda, MT, uma produção de 32@/ha/ano, número acima da média nacional de 6@/ha/ano. -No perí­odo das águas chegamos a 16@/ha. Como mantemos a nutrição, a expectativa é que ficaremos nessas 32@/ha esse ano', diz Fabiano Alvim, diretor-técnico da Pecuária Sustentável da Amazônia (Pecsa), empresa que administra 767 hectares da propriedade. A Pecsa faz parcerias com pecuaristas do bioma Amazônia para transformar as propriedades em modelos sustentáveis e produtivos. A relação da empresa com a Fazenda Bevilaqua, do pecuarista Celso Bevilaqua, começou no final de 2015. -Como há um perí­odo de reformas e adaptações de estrutura, esse será o primeiro ano da propriedade rodando completa, do jeito que imaginamos, por isso ainda não há um dado final', explica Alvim. Mudanças - Assim que assume a gestão de uma propriedade, a Pecsa faz um diagnóstico completo de toda a área. -Avaliamos as pastagens, os recursos hí­dricos, a estrutura, o que precisa ser feito em relação í s íreas de Preservação Permanente (APPs) e reserva legal e também a mão de obra. A partir disso, decidimos quais mudanças serão necessárias'. No caso da Bevilaqua, houve correção de solo e as pastagens foram reformadas com Panicum, já que, segundo Alvim, a morte súbita do braquiarão é comum na região. -Se reformamos com braquiária de novo, daqui dois ou três anos vai acontecer de novo a morte súbita'. Todo ano ainda é feita adubação de manutenção nas pastagens. -O manejo do solo com reforma de pasto, divisão de área e adubação nos permite trabalhar com lotação média de 2,5 UA/ha ou 3,5 cabeças de novilhas por hectare. A média brasileira é de 1 UA/ha'. Os recursos hí­dricos também receberam atenção especial. -Na maioria das fazenda no norte de Mato Grosso, o gado bebe água de fontes naturais. Nós tiramos isso. Então, fazemos sistema de captação de água e bombeamento para reservatórios maiores. Depois distribuí­mos em bebedouros'. A Pecsa ainda restaura as APPs e as cerca para que os animais não tenham mais acesso. Nutrição - Na Bevilaqua e na maioria de suas parcerias, a Pecsa trabalha com recria e engorda de novilhas, que chegam com 6 a 7 arrobas e saem no máximo 11 meses depois com 13 a 14 arrobas. -Só a taxa de lotação não significa que vamos produzir muito. Nossas fazendas têm que ter ganho de peso acima de 650 g, 700 g por dia'. Fabiano explica que todo gado que chega recebe em torno de 1 kg/cab. de um suplemento proteico - com cerca de 25% de proteí­na. -E, na engorda, dependendo da necessidade, os animais recebem suplementação de 1% a 1,5% do peso vivo na ração'. A ração é formulada por Alvim e, a partir de outubro, a Pecsa começará a ter fabricação própria para fornecê-la para todas as suas fazendas. -Usamos aditivos, mas nada de antibiótico alimentar para evitar restrições de mercado'. Gestão - Todos os animais são chipados para garantir a rastreabilidade e também para que haja monitoramento individual e geração de dados. Há também pesagens de rotina e apartação em lotes de acordo com o peso. -Isso nos dá informações para estratégias nutricionais, análise de raça, de peso e também para compararmos com as nossas metas'. Todas as propriedades têm objetivos definidos de ganho de peso, qualidade de carcaça, entre outros í­ndices, que são acompanhadas pela equipe técnica e operacional. Quando a parceria é firmada, são feitas entrevistas com os funcionários que trabalham na fazenda para que eles sejam vinculados í  Pecsa. Eles recebem treinamentos de regulamentação, cuidados ambientais, vacinação, aplicação de produtos e condução de maquinários para que estejam preparados para as mudanças. Dependendo do tamanho da área, contratações são feitas. Sustentabilidade - Além de regularizar as APPs, buscando uma pecuária sustentável, a Pecsa também garante a rastreabilidade de todo o gado. As compras são feitas apenas de propriedades sem problemas ambientais e trabalhistas. -Temos uma pessoa apenas para fazer a compra de gado das fazendas. Ela vai até a propriedade, passa os dados para a área ambiental, que checa se existem problemas relacionados a desmatamento, terras indí­genas, trabalho escravo, entre outras coisas', explica Alvim. Apenas após a liberação, a compra é realizada. Custos e viabilidade - Os investimentos iniciais na adequação da propriedade - reforma de pastagens, estrutura de bebedouros, parte ambiental, entre outras necessidades - ficam entre R$ 3.000 e R$ 3.300 por hectare. Além disso, há um custo direto por animal de cerca de R$ 40 a 45/mês. -É um custeio relativamente alto por causa de suplementação, adubação. Por isso, precisamos produzir muito, ter alto ganho de peso e trabalhar com valor agregado', diz o diretor-técnico da Pecsa. A empresa não tem nenhuma certificação de sustentabilidade ou recebe a mais por isso. -A nossa bonificação - de R$ 3 a R$ 5 por arroba - vem de entregar novilhas precoce, acima de 13,5@, com padrão elevado de qualidade de carcaça'. Segundo Alvim, o investimento inicial se paga, em média, no terceiro ano, dependendo da condição dos preços. -Quando a situação está boa, é possí­vel conseguir o retorno até no segundo ano'. Mesmo com os altos valores empregados nas mudanças, Alvim acredita que o modelo é aplicável no paí­s. Para ele, o pecuarista precisa fazer as reformas gradativamente, já que possivelmente não terá caixa para tudo de uma vez. Dependendo da propriedade, também pode não ser necessário reformar tudo. -O produtor pode separar 30%, 50% da área para trabalhar de forma mais intensiva. A Pecsa faz tudo, porque temos aporte de um fundo europeu. Então adequamos essas áreas para mostrar que é possí­vel trabalhar com pecuária intensiva e evitar desmatamento', conta Alvim. Modelo de parcerias Pecsa - O modelo de parcerias da Pecsa pode variar caso a caso, mas, normalmente, o investimento inicial - reforma de pastagens, compra de gado, adaptações ambientais - é repartido entre a empresa e o produtor. O custeio fica a cargo da Pecsa. O produtor recebe uma porcentagem do lucro, que depende do ní­vel de participação nos gastos iniciais. O perí­odo dos contratos varia de sete a oito anos. Após isso, Alvim diz que o pecuarista pode escolher renovar a parceria ou então retomar a gestão da fazenda. -Vamos entregar a propriedade com toda a adequação ambiental e estrutural que fizemos'. Fonte: Portal DBO
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