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Publicado por Mara Portinary

Boi 2018 - Perspectivas para o agronegócio brasileiro

Animais > Bovinos Editado 11/12/2017 10:36

"Volume adicional esperado"

No primeiro semestre de 2017, impactadas pelo recuo das importações do Egito e pelos desdobramentos da operação Carne Fraca, as exportações brasileiras de carne bovina recuaram 8% no comparativo com o mesmo período do ano anterior. Apesar de um início repleto de dificuldades, o Brasil demostrou forte poder de recuperação no mercado internacional  de carnes. O volume acumulado de exportações de janeiro a outubro já sinaliza aumento de 5% em relação ao observado em 2016.

 

Vale ressaltar que, entre julho e outubro, o Egito voltou a comprar uma média de cerca de 20 mil toneladas mensais – volume similar ao de 2016, quando o país foi o segundo principal comprador de carne bovina brasileira. Além disso, destaca-se que a China aumentou as suas importações de carne bovina do Brasil em mais de 25% em 2017 (também de janeiro a outubro).

 

O ponto de atenção, porém, está na Rússia que, em novembro de 2017, anunciou restrições às importações de carnes do Brasil. Apesar das incertezas quanto à duração desse embargo, fica claro que a alta exposição ao mercado russo ainda é um risco ao desempenho das exportações de carnes em 2018, já que a Rússia  é o terceiro maior  comprador  de  carne bovina  do Brasil e é o destino número um da carne suína brasileira.

 

Vale destacar que em 2018 se consolida um cenário de aumento de oferta de carne bovina, como resultado do aumento esperado no número de animais terminados – tanto pelo aumento do abate de fêmeas, quanto pela postergação de abates observada parcialmente em 2017. Assim, a perspectiva é de aumento na disponibilidade de volumes para exportação.

Fonte: Bloomberg, USDA, Rabobank 2017

 

De toda forma, parte da produção adicional deve ser absorvida pelo próprio mercado interno, que já mostrou sinais de recuperação em 2017. Vale lembrar que, como resultado da crise econômica e aumento do desemprego, houve dois anos consecutivos de redução de consumo per capita de carne bovina no Brasil. É importante destacar, portanto, a elevada relação entre a renda disponível e o consumo de carne bovina do brasileiro. Se, por um lado, o resultado de tal relação foi negativo nos anos de recessão econômica, por outro, deve proporcionar uma retomada do consumo interno em um cenário de crescimento do PIB. O Rabobank estima que o potencial de recuperação é de até 4 kg per capita ao longo dos próximos dois anos.

 

É importante destacar que 2018 é um ano eleitoral e, consequentemente, de instabilidade no ambiente político, o que pode gerar reflexos pontuais no mercado de carne bovina. Com isso, a recomendação para os produtores é de uma gestão de riscos com foco nas margens e não em preços. Assim, o produtor de gado de corte no Brasil deve, em 2018, aumentar esforços no entendimento de seus custos para a potencial utilização de ferramentas financeiras com foco no mercado futuro, com o objetivo de garantir margens satisfatórias e de acordo com suas estratégias.

 

Quanto aos custos de produção para a produção intensiva e semi-intensiva, a relação de troca entre o boi gordo e o bezerro ou boi magro deve permanecer acima dos patamares históricos – beneficiando o produtor que realiza a recria e engorda. Por outro lado, as cotações do milho em 2018 ainda estão indefinidas e poderão ser um ponto de atenção – a depender do volume de produção da segunda safra (ver seção de milho).

 

Já em relação aos frigoríficos, considerando o aumento esperado de disponibilidade de boi gordo, há perspectiva de expansão. A expectativa é que a indústria deva converter a oportunidade de maior oferta em resultados mais positivos, também considerando a esperada retomada da demanda interna, mesmo que ainda parcial em 2018.

 

O ano de 2018 parece ser mais promissor para todos os atores da cadeia de carne bovina no Brasil. Porém, isso não significa um cenário estável de preços. Na realidade, maior volatilidade parece ser o cenário mais possível para 2018, principalmente em um cenário de restrições no mercado internacional. Assim, resultados consistentes serão definidos principalmente pelos níveis de conhecimento e gestão de cada propriedade.

 

Ponto de atenção

O mercado futuro pode trazer oportunidades, principalmente para produtores que tenham uma gestão de risco baseada na trava de margens – o que pressupõe conhecimento preciso dos custos de produção.

 

Dependendo da existência e duração das restrições de acesso ao mercado russo em 2018, os preços locais podem ser impactados pela maior oferta no mercado doméstico.

 

Fonte: Estudo de perspectiva para o Agronegócio produzido pelo departamento de pesquisa e análise setorial para clientes e parceiros do Rabobank Brasil.  

 

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