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Publicado por Mara Portinary

Leite 2018 - Perspectivas para o agronegócio brasileiro

Economia 11/12 13:12

Melhora no Consumo

O mercado internacional apresentou preços estáveis ao longo de 2017 para a maioria das commodities lácteas, com a oferta e a demanda em equilíbrio até o terceiro trimestre (ver Figura 1). Uma melhora nos preços ao produtor a partir de junho em vários países exportadores impulsionou a oferta internacional no quarto trimestre. Apesar da demanda chinesa se manter firme no quarto trimestre, o aumento nos volumes de exportação trouxe algumas quedas nos commodities internacionais em novembro.

 

Já no Brasil, o custo baixo da ração e a inércia causada por preços elevados ao produtor em 2016 impulsionaram a oferta de leite ao longo de 2017. O Rabobank estima que o aumento na produção de leite atinja 3% em volume para o ano. Apesar do aumento na produção, o consumo se manteve fraco, principalmente no primeiro semestre, gerando excesso de estoques na indústria e preços ao produtor em 2017 abaixo dos registrados no ano anterior.

 

Os preços elevados no varejo no primeiro semestre para produtos como leite em pó e queijos, e a piora na capacidade de compra dos consumidores, por causa da recessão (2014-2016), impactaram negativamente os volumes vendidos. Já no segundo semestre, a recuperação da demanda tem sido lenta, fazendo com que a receita da indústria feche o ano abaixo do esperado. Alguns setores, como o leite longa vida, têm sofrido com preços baixos ao longo de 2017, impactando negativamente as margens (ver Figura 2). Descontos nas gôndolas e a concorrência acirrada entre um número elevado de marcas sem diferenciação têm prejudicado os resultados no leite UHT, com preços 12% menores em comparação com 2016, no atacado em São Paulo, de acordo com o IEA (10 primeiros meses do ano).

 

Com o consumo abaixo do esperado e a oferta em expansão, o preço pago ao produtor em 2017 ficou 5% abaixo da média de 2016 (11 primeiros meses do ano). Assim, a rentabilidade do produtor foi menor do que a registrada em 2016 (ver Figura 3).

 

Em relação ao comercio internacional, as importações apresentaram queda de 30% nos primeiros onze meses de 2017. Com preços menores no mercado doméstico, ficou menos rentável importar leite. Já em relação às exportações, a queda nos embarques foi de 27%, em parte como consequência do real estar mais forte em relação ao dólar. Assim, o déficit comercial lácteo apresentou uma queda expressiva de 30% em 2017 (ver Figura 4)

Em 2018, o mercado internacional deve apresentar preços menores aos observados em 2017. O aumento da oferta exportadora deve manter as cotações abaixo das registradas até o terceiro trimestre de 2017. Espera-se uma correção um pouco mais significativa para a manteiga do que para as outras commodities, já que as gorduras apresentaram altas históricas em 2017 e tem maior espaço para cair com uma melhora na oferta exportadora. A demanda chinesa deve manter o ritmo de crescimento com a economia do gigante asiático avançando em torno de 6% (PIB) em 2018, limitando a queda nas cotações internacionais.

 

No Brasil, o cenário para os preços ao produtor deve ser mais positivo em 2018, comparado com 2017. Do lado da demanda, o consumo deve melhorar com a economia em recuperação (ver seção sobre Macroeconomia) trazendo crescimento moderado nos volumes de venda.

 

Quanto à oferta, o crescimento em 2018 deve ser menor do observado em 2017. O custo da ração provavelmente será um pouco mais elevado como resultado das tendências para o milho (ver seção sobre Milho). Por outro lado, as margens restritas de 2017 devem limitar a capacidade dos produtores de investir em aumento da capacidade produtiva no início de 2018. Assim, o Rabobank projeta que a oferta de leite no Brasil deve aumentar ao redor de 2% em 2018, comparado com avanço de 3% em 2017.

 

Preços ligeiramente menores no mercado internacional e uma taxa de câmbio relativamente estável, devem gerar um aumento moderado nas importações de lácteos no Brasil em 2018. Porém, um aumento na volatilidade do câmbio, como consequência do cenário político, pode inviabilizar a recuperação das importações em 2018.

 

 Ponto de atenção: Nas últimas semanas, tem aumentado a probabilidade de La Niña em 2018. Se, de fato, se concretizar, o fenômeno deve trazer estiagem ao Sul e ao Sudeste, impactando negativamente a produção de leite nas principais bacias leiteiras.

 

Fonte: Estudo de perspectiva para o Agronegócio produzido pelo departamento de pesquisa e análise setorial para clientes e parceiros do Rabobank Brasil. 

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