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Publicado por Mara Portinary

Soja 2018 - Perspectivas para o agronegócio brasileiro

Grãos Editado 11/12/2017 13:42

Demanda aquecida limita queda

 

Apesar   do   atraso   na   semeadura   da   soja   na   safra   2017/18,   principalmente   em   decorrência   da instabilidade de chuvas durante o mês de outubro, o Rabobank estima que a área da oleaginosa registre novo recorde no Brasil e atinja 34,5 milhões de hectares no atual ciclo. Por outro lado, a perspectiva é que a produtividade brasileira retorne à linha de tendência nessa temporada, para 3,1 toneladas/hectare,  sendo  9%  inferior  àquela  observada  na  safra  2016/17,  quando  houve  condições climáticas extremamente favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.

 

 

Dessa forma, a produção brasileira de soja no ciclo 2017/18 deve alcançar 107 milhões de toneladas,  6%  inferior  à  da  safra  2016/17,  mas,  ainda  assim,  a  segunda  maior  da  história.  Essa produção esperada no Brasil somada à produção americana recorde – estimada em 120 milhões de toneladas, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) – devem levar à manutenção dos estoques globais.

 

Em um cenário de elevada oferta e estoques em níveis relativamente confortáveis, geralmente, a tendência seria de pressão sobre os preços. Porém, a demanda global aquecida tem contrabalanceado e,  de  certa  forma,  sustentado  as  cotações  internacionais  da  soja  ainda  próximas  dos  USD  10/bushel. Segundo estimativas do USDA, o consumo mundial de soja deve alcançar 345 milhões de toneladas no ciclo 2017/18, volume 5% maior que o observado na safra anterior.

 

Parte significativa desse aumento da demanda mundial por soja se justifica pelo aumento esperado do consumo chinês. A expectativa do Rabobank é que sejam esmagadas 94 milhões de toneladas de soja na China, sendo que as importações chinesas da oleaginosa somariam 96 milhões de toneladas na safra 2017/18, representando incrementos de 7% e 3%, respectivamente, no comparativo com o ciclo anterior. É válido ressaltar que o esmagamento de soja na China segue em ritmo forte em função, principalmente, das boas margens da indústria esmagadora local.

 

Considerando todas as premissas acima citadas, a estimativa do Rabobank é de que os preços da soja em Chicago se mantenham em patamares entre USD 9,80 e USD 10,05/bushel em 2018.

 

 

Nesse cenário de preços para 2018, a perspectiva é que, apesar da expectativa de redução nos custos de produção (ver seção de insumos agrícolas), as margens dos produtores devem ser pressionadas. Em Mato Grosso, o Rabobank estima que a margem operacional na safra 2017/18 seja de R$ 15,70/saca (60 kg), 15% inferior ao observado no ciclo 2016/17 (R$ 18,30/sc).

 

Segundo o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola), 33% da produção da safra 2017/18 foi comercializada até novembro/17 em Mato Grosso, 12 pp abaixo da média dos últimos 5 anos para esse período. Sinal de alerta para as tradings que, no primeiro semestre de 2017, tiveram margens pressionadas pela retração vendedora e grande volume comprometido com exportações.

 

A demanda interna do Brasil por soja em grão deve receber um impulso em função da alteração na mistura mandatória de biodiesel no diesel que, a partir de março/18, subirá de 8% para 10%. O Rabobank estima que essa mudança deve resultar em consumo adicional de 850 mil toneladas de óleo de soja no mercado interno, dos quais 450 mil toneladas poderiam ser provenientes de redução no volume exportado.

 

Assim, a perspectiva é que haja demanda doméstica adicional para esmagamento de cerca de 2-2,5 milhões de toneladas de soja – totalizando um volume total esmagado de 44,5-45 milhões de toneladas em 2018. Em função do incremento no consumo doméstico de óleo de soja e redução da capacidade ociosa da indústria, a perspectiva é de leve recuperação nas margens de esmagamento em 2018, após a pressão observada em 2017.

 

No que diz respeito à safra 2018/19 no Brasil, embora assuma que ainda seja relativamente cedo para conclusões assertivas, o Rabobank, com base no modelo de tendência, estima que a área de soja deva alcançar 35,6 milhões de hectares e que a produção deva atingir 111 milhões de toneladas.

 

Ponto de Atenção: O maior volume esmagado para produção de óleo também deve levar ao incremento da oferta de farelo de soja no mercado interno, pressionando as cotações do produto no Brasil. Embora ainda não consolidado oficialmente, as probabilidades de ocorrência do evento climático La Niña vem aumentando. Assim, vale acompanhar o desenvolvimento das

lavouras da Argentina, do Sul do Brasil e dos EUA em meados de 2018.

 

Fonte: Estudo de perspectiva para o Agronegócio produzido pelo departamento de pesquisa e análise setorial para clientes e parceiros do Rabobank Brasil.  

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