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Publicado por Mara Portinary

Café 2018 - Perspectivas para o agronegócio brasileiro

Grãos 11/12/2017 13:12

Safra 2018/19 espera por chuvas

O Brasil teve uma safra 2017/18 relativamente boa, sem grandes anormalidades. Foi um ano Conilon marcado pelo ciclo de baixa produção de arábicas e recuperação  parcial do     . A alta incidência da broca-do-cafeeiro e o menor rendimento foram fatores que afetaram a produção, principalmente de grãos de maior qualidade. Para o próximo ciclo será importante monitorar e controlar essa praga, que possui potencial para gerar um grande impacto nos frutos.

 

As exportações de café verde durante 2017 foram abaixo do esperado (ver Figura 1). Desde 2014 o Brasil apresentava valores acima de 30 milhões de sacas de café verde no total do ano. Com apenas 1 mês restando, o Brasil teria que bater um recorde para superar tal marca.

 

A justificativa para este resultado são os baixos preços apresentados no segundo semestre de 2017 (ver Figura 2), desestimulando a comercialização por parte dos produtores e menor disponibilidade de café, devido a bianualidade negativa do ciclo.

 

A queda na exportação brasileira parece ter afetado pouco os mercados  internacionais.  EUA, Japão e Europa abasteceram seus estoques (ver Figura 3) ao longo do ano, que apenas apresentaram queda entre agosto e outubro. De acordo com o  Rabobank,  a  expectativa  é que os estoques dos países não-produtores diminuam cerca de 3,5 milhões de sacas durante o ano safra 2017/18. Recentemente, a GCA (Green Coffee Association) já indicou um declínio  em  Outubro/17,  na  ordem  de  155  mil  sacas.  É  a  terceira  queda  consecutiva  dos estoques americanos. A dúvida que permanece é relacionada à recuperação do market share brasileiro, que aparentemente foi ocupado pelos cafés da Colômbia, Vietnã e Honduras.

 

 

Em relação à oferta global, a perspectiva é de uma safra relativamente boa. Apesar de um início abaixo do esperado, a Colômbia possui potencial para repetir o excelente resultado da última safra de 14,6 milhões de sacas. Também é esperado um pequeno incremento para Peru, Guatemala, México e Nicarágua, que somados, podem gerar 400 mil sacas adicionais no mercado. Porém Honduras, país que surpreendeu com as crescentes produções dos últimos anos, provavelmente não terá o mesmo fôlego para repetir a excelente safra de 2016/17, com uma produção 10% menor.

 

 

O Vietnã deverá ter um incremento de 9% na colheita que se inicia no final de 2017, em relação  à  safra  2016/17,  com  volume  acima  de  28  milhões  de  sacas,  devido  ao  excelente padrão climático. Já a Indonésia deve apresentar um leve declínio, cerca de 3%  em comparação a última safra.

 

Já o Brasil apresenta um bom potencial produtivo para safra 2018/19. Apesar do atraso das precipitações, existe uma grande expectativa de alta produção, principalmente por causa da recuperação do conilon no Espírito Santo. Assim, o Rabobank estima que a safra 2018/19 fique entre 57 a 59 milhões de sacas, sendo 28% conilon. A manutenção das chuvas, principalmente nas regiões da Zona da Mata Mineira e Espirito Santo, será fator fundamental em um momento que os modelos climáticos americanos (NOAA) indicam a possibilidade de La Niña a partir de fevereiro/18, o que poderia gerar uma diminuição no volume de chuvas.

 

Em relação ao consumo global de café, o Rabobank prevê um crescimento de 2,4% para o ciclo 2017/18 em relação a 2016/17. No Brasil, a recuperação econômica deve colaborar com o aumento do consumo. A ABIC divulgou em outubro de 2017 a previsão de consumo de 23,1 milhões de sacas para 2018, 3,4% maior em relação ao ano de 2017.

 

O ano de 2018 será novamente um ano de alta volatilidade no mercado. Incertezas na oferta de café, em decorrência das dúvidas no regime de chuvas, e no câmbio, devido ao ano eleitoral, podem gerar oportunidades. Porém, os elevados preços de 2016 e 2017 dificilmente se repetirão. O produtor deve estar atento para utilizar as ferramentas disponíveis, como fixar preços no mercado futuro visando a proteção da oscilação do mercado.

 

 

Ponto de Atenção: Mercado de conilon com um viés baixista de preços devido às boas safras no Vietnã, Indonésia e Brasil. Com excesso de oferta de conilon e arábica em 2018, a indústria não deverá ter problemas com o abastecimento de cafés menos nobres. O clima no Brasil será foco nos próximos meses. A partir deste momento uma seca prolongada pode impactar a safra e resultar em uma valorização dos preços.

 

Fonte: Estudo de perspectiva para o Agronegócio produzido pelo departamento de pesquisa e análise setorial para clientes e parceiros do Rabobank Brasil.  

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