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Publicado por Mara Portinary

Cana, açúcar e etanol 2018 - Perspectivas para o agronegócio brasileiro

Sucroenergético 11/12/2017 14:12

Safra mais alcooleira em 2018

 

Durante o primeiro semestre de 2017, o preço internacional de açúcar despencou em decorrência da expectativa de uma virada, de déficit para excedente, do balanço mundial de açúcar. Por sua vez, a receita líquida gerada pelo etanol sofreu como resultado da volta do PIS/Cofins para os produtores do combustível. A dificuldade de repassar mesmo que parte deste custo ao longo da cadeia, acabou por gerar impactos negativos no resultado da safra 2017/18, via preços e margens diminuídas.

 

Para os fornecedores de cana, os quais a receita depende do vaivém das cotações spot de açúcar e etanol, a queda do preço recebido tem sido realmente forte na safra 2017/18, quando comparado ao valor  médio  espetacular  do  ATR  realizado  em  2016/17.  Muitas  usinas,  por  outro  lado,  conseguiram amenizar parcialmente a queda na receita e na margem por terem travado antecipadamente parte das vendas de açúcar da safra 2017/18 em 2016, quando os preços estavam ainda altos.

 

A polarização do setor continua – as empresas que entraram no ano de 2017 em boas condições, agora alcançaram uma alta robustez financeira, reduzindo o endividamento e mantendo uma boa liquidez. Desta forma, estão aproveitando de oportunidades para carregar estoques de etanol para vender na entressafra. Em contraste, as empresas em condições mais críticas são reféns do mercado “spot”, sendo incapazes de fazer replantio e manutenção da soca adequada, engatilhando um ciclo vicioso de margens apertadas e investimentos insuficientes.

 

Estes desenvolvimentos nos mercados e nas empresas do setor servem como pano de fundo para uma avaliação inicial das perspectivas para a safra 2018/19 no Centro-Sul. A área colhida nessa região em 2018/19  não  deve  mudar  muito  em  comparação  com  2017/18.  Primeiramente,  a  área  total  de  cana praticamente parou de crescer. E, em segundo lugar, o aperto das margens em 2017/18 para muitos players sugere que a taxa de renovação não seja muito diferente dos 13% registrados no ano anterior.

 

Em decorrência das taxas baixas de replantio nos anos anteriores, a cana a ser colhida em 2018/19 terá, na média, uma idade  superior a de canaviais colhidos em 2017/18. Geralmente, quanto mais velha a cana, maior a vulnerabilidade da planta frente a condições climáticas desafiadoras, doenças e pragas. Esse fato sugere que, com uma premissa de clima normal, a produtividade em 2018/19 dificilmente superará o desempenho de 2017/18.

 

Assim, com a premissa de clima normal, a expectativa inicial é de que a safra 2018/19 no Centro-Sul seja parecida às 580 – 590 milhões de toneladas estimadas para 2017/18. Na medida em que as condições secas durante a safra 2017/18 contribuíram para um ATR maior do que inicialmente esperado, a qualidade média da cana em 2018/19 poderá ficar levemente abaixo do nível atingido em 2017/18.

 

 

De longe, a variável vista pelo mercado como chave para 2018/19 é o mix. Apesar do foco maior no etanol que ocorreu na segunda parte de 2017/18, em decorrência do preço baixo de açúcar, essa acabou sendo uma safra açucareira, com uma participação estimada de 47% da cana moída para produzir açúcar. A baixa chance de uma recuperação dos preços internacionais de açúcar em 2018 sugere que a nova safra seja mais alcooleira.

 

Claro que, com a nova política de preços da Petrobras, a trajetória dos preços de etanol em 2018 está longe de ser previsível. Porém, com a  nova  estrutura de impostos  conferindo mais competitividade  ao hidratado e, com o preço de petróleo Brent projetado em uma faixa de USD 55 – 60/barril, as perspectivas para o consumo de hidratado parecem promissoras. E, diferente de 2017, com o estabelecimento da tarifa de importação de etanol, ficou mais  difícil  das  importações  derrubarem  o preço doméstico.

 

Assim, contando com uma moagem em 2018/19 similar àquela de 2017/18, a produção de mais etanol significaria uma queda na produção de açúcar em comparação com as 36,0 milhões de toneladas estimadas  para  2017/18.  Grosso  modo,  cada  redução  de  1%  no  mix  de  açúcar  significaria  0,75 milhões de toneladas de produção de açúcar a menos. Ou seja, se o mix chegasse a 44% em 2018/19,  a  produção  de  açúcar  seria  reduzida,  em  comparação  com  2017/18,  em  2,25  milhões  de toneladas, um volume nada desprezível no contexto do balanço global de açúcar.

 

Ponto de Atenção: Como sempre, o clima terá um papel fundamental na determinação do tamanho e qualidade da safra 2018/19. Condições secas em 2017 já geraram preocupações a respeito da produtividade em 2018/19, mas isso ainda dependerá muito do clima entre outubro 2017 e fevereiro 2018, período em que 80% do crescimento da cana normalmente acontece.

 

Fonte: Estudo de perspectiva para o Agronegócio produzido pelo departamento de pesquisa e análise setorial para clientes e parceiros do Rabobank Brasil. 

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